O mês da Bíblia tem o lema: “Seu Reino jamais será destruído” (Dn 7,14)

Ao refletiremos o lema do mês da Bíblia: "Seu reino jamais será destruído" (Daniel 7, 14), logo percebemos que está inserido na segunda seção do Livro de Daniel. Na primeira, foram abordados os reinos de Nabucodonosor (Dn 1-4), Baltazar (Dn 5), Dario e Ciro (Dn 6).
Nesse texto de Dn 7, é retomado o sonho descrito em Dn 2 e novamente falará do reino de Baltazar. A diferença em relação à primeira parte é que agora quem sonha e vê não é o rei, e sim, Daniel.
Daniel narra o que vê numa visão, por meio da qual lhe é dado a conhecer o presente e o futuro da história por meio de seres angélicos. As imagens remetem aos elementos apocalípticos: quatro animais terríveis; a interpretação dos sonhos por meio de seres angélicos; a divisão do universo em quatro partes (quatro ventos); a natureza se contorce; aparece um ancião que é também juiz, e surge o Filho do Homem.
Após a introdução (7,1-2a), Dn 7,2b-14 traz três cenas: as feras que saem do mar (vv. 2b-8), a imagem do ancião que preside a corte celeste (vv. 9-12) e a figura do domínio universal (vv. 13-14). O período relatado parece ser o de 167 a.C., por causa do decreto promulgado por Antíoco contra as práticas judaicas.
Daniel sonha com quatro animais terríveis que saem do mar e representam quatro impérios: o animal semelhante a um leão (v. 4) simboliza a Babilônia; o semelhante a um urso (v. 5) é um símbolo do Império dos Medos; semelhante a um leopardo (v. 6) significa a Pérsia; o último animal é uma fera medonha (v. 7a), simboliza o reino de Alexandre Magno. Esse animal era diferente porque possuía dez chifres (v. 7b), que são os reis selêucidas. Além disso, aparece um 11º chifre pequeno com olhos e boca arrogante (v. 8a), o qual representa Antíoco IV Epífanes.
O chifre pequeno destrói outros três chifres (v. 8b), que são os reis vencidos por Epífanes: Ptolomeu IV (Filometor), Ptolomeu VII (Evergetes) e Artaxes. O quarto animal foi morto (v. 11) e, embora os três primeiros “recebam um prolongamento de vida”, são, contudo, inofensivos (v. 12). As três primeiras feras não são assassinadas, ou seja, continuam no poder, mas sem a possibilidade de exercer novamente o domínio sobre as outras nações (v. 12).
Essa cena é interrompida no v. 9, introduzindo a segunda, a qual, com a imagem de um tribunal celeste, de forma solene apresenta o Ancião de dias, sentado, representando Deus em sua condição de juiz e soberano, que inicia o julgamento das feras. Nas características do Ancião (Deus) predomina a brancura de suas vestes e do cabelo, provavelmente uma veste real, e reporta ao esplendor e beleza, mas também à pureza e inocência, livre de qualquer delito.
O trono, como chama de fogo, exalta a grandeza de Deus, sua majestade e a manifestação de sua glória, de sua presença. É alguém eterno, por ser um Ancião de dias. A terceira cena, vv. 13-14 descreve o reino do Filho do Homem, um ser humano em contraposição aos quatro animais anteriores.
A expressão “Filho do Homem” é utilizada para ressaltar a fragilidade humana, para referir-se a Adão, criado à imagem de Deus, porém é alguém que tem poder. A referência às “nuvens” o caracteriza como divino. O Ancião (Deus) garante a perenidade do reino do Filho do Homem, que vem do céu e recebe toda a autoridade (v. 14).
Esse Filho do Homem recebeu várias interpretações messiânicas no Novo Testamento; porém, em Daniel, pode ser interpretado como sendo o povo, sobretudo, os justos chamados a restaurar a sociedade.
O aspecto teológico que emerge nesses textos é da soberania de Deus, que conduz a história para o julgamento final e a instalação de seu reino definitivo. É um texto profético que provoca a sermos ousados e ousadas, tornando-nos anunciadores da presença de Deus, que conduz a história.
Ir. Zuleica Aparecida Silvano, fsp








