A presença xaveriana no Brasil, desejada e incentivada pelo papa

Os Missionários Xaverianos nasceram do coração missionário de dom Guido Corforti. Começaram sua atividade na China, para realizar o sonho de Francisco Xavier. Depois da perseguição e expulsão dos missionários da China, a Congregação se abriu para o mundo inteiro.
Nos anos cinquentas o Papa Pio XII começou a incentivar as Congregações Missionárias para evangelizar a América Latina. Foi assim que também a nossa Congregação, além de se abrir mais para a Ásia e África, se abriu também para o Brasil.
Padre Giovanni Castelli, Superior Geral dos Xaverianos, escrevendo aos confrades no décimo aniversário de sua chagada ao Brasil (em maio de 1963), lembrava as razões pelas quais encontravam-se neste grande País: “Os Missionários Xaverianos foram enviados para se colocarem, em primeiro lugar, à disposição de alguns bispos para uma pastoral de emergência, em regiões desprovidas de sacerdotes. De fato, dedicaram-se à obra de animação vocacional, convencidos da fundamental importância do problema das vocações. Em seguida foi-lhes confiada a prelazia de Abaeté do Tocantins, na Amazônia, com a tarefa específica de preparar obreiros de pastoral estável (sobretudo sacerdotes) para as várias paróquias e para criar uma série de obras religiosas, assistenciais e educacionais em benefício de uma população que vive em condições muito precárias”.
O Papa Paulo VI, nesse mesmo tempo escreveu ao Superior Geral: “Cumpro com o honroso encargo de informar Vossa Revma. que tem suscitado ecos de vivo agrado em nosso ânimo a notícia da próxima passagem do décimo aniversário desde quando os diletos filhos do Servo de Deus Guido Maria Conforti, de venerada recordação, dóceis ao convite do Vigário de Cristo, deram início à sua atividade missionária na terra brasileira...” (16 de julho de 1963). Destas palavras aparece claro que a chegada dos Xaverianos no Brasil foi desejada e incentivada pela Papa.
Os Xaverianos chegaram no Pará dia 04 de março de 1961, vindos do Brasil Sul, não casualmente, mas seguindo o carisma de sua vocação. O que sabiam a respeito do imenso território amazônico e o que imaginavam, encontra-se em vários documentos espontâneos dos quais dispomos. A ideia de fundo era que a presença dos Xaverianos no sul do País não satisfazia plenamente o anseio missionário.
No Brasil Norte encontraram “territórios imensos, dificuldades enormes, pobreza evangélica, calor equatorial, distâncias continentais, meios de comunicação primitivos, habitações da idade das cavernas, almas abandonadas, índios pagãos, presença de imigrados japoneses shintoistas; tudo isso constitui um claro testemunho da missionariedade da Região Amazônica que parece criada de propósito para satisfazer a sede e os desejos apostólicos dos Missionários Xaverianos” (carta de Dom João Gazza).
Dom João Gazza foi o primeiro Bispo desta Prelazia. Depois de três anos de sua chegada na Amazônia (março de 1962), assim resumia as motivações e os desafios aos quais os Xaverianos deveriam responder: “A consciência esclarecida de sua chamada específica: fundadores de Igrejas! Uma vocação de pioneiros da fé. Na procura das almas, na distribuição da graça, nas visitas prolongadas deverão sempre lembrar que a Mãe Igreja lhes confiara uma ‘Igreja em formação’, que deve ser alimentada e conduzida à maturidade de Cristo. Uma inteligência de amor que saiba descobrir, sob a casca muitas vezes desfigurada pelo mal físico e moral, a imagem de Deus em toda criatura humana. Um espírito de adaptação a toda prova, na aceitação dos instrumentos singulares de uma pastoral missionária na qual seja extremamente clara a linha de demarcação entre o essencial e o acessório”.
Em 28 de janeiro de 1972, a Direção Geral dos Xaverianos criava a Quase-região da Amazônia: com este ato definia a situação jurídica do grupo de Xaverianos na Amazônia. Em 1977 a Quase-região foi declarada Região. O ano seguinte, em fevereiro, os Xaverianos celebravam seu primeiro Capítulo Regional do Brasil Norte.

Renato Trevisan, sx







