RECORDAÇÕES MISSIONÁRIAS DO PE. ZEZINHO
Enfim, “tudo é Graça” (epílogo do Diário de um Pároco de Aldeia, de Georges Bernanos). Sim, precisamos agradecer, começando por nós que chegamos aqui naqueles tempos idos e que, agora, com direito à prioridade, invocamos um suplemento de Graça.
Em 8 de setembro de 1968, cheguei ao Brasil, junto com o Pe. Sávio Corinaldesi. O Pe. José Morandi, superior regional e ir. Luis Guizzetti, nos esperavam no porto de Santos (SP). Os dois estávamos destinados para a Amazônia. Após uns dias em São Paulo em 24 de setembro, chegamos em Belém (PA), fomos acolhidos por Dom Ângelo Frosi, Administrador Apostólico da Prelazia de Abaeté do Tocantins. A viagem até Abaetetuba (PA) continuou de barco até o Cafezal, onde Pe. Vicente Mitidieri nos esperava, para continuar a viagem.
Depois de 30 lições de língua portuguesa, com irmã Simone, capuchinha e professora no Colégio Nossa Senhora dos Anjos, começamos nosso trabalho missionário, o Pe. Corinaldesi ficou encarregado do bairro de Vila Sarará e Vila Saracura e o Pe. Leoni do bairro do Algodoal, na periferia de Abaetetuba.
A Prelazia contava com os seguintes agentes de pastoral: na Cidade de Abaetetuba, as Irmãs Capuchinhas e as Irmãs Xaverianas, Dom Ângelo Frosi, o ir. Germano Valeriano, os padres Vicente Mitidieri, pároco da Catedral Nossa Senhora da Conceição, Valeriano Ruaro nas Ilhas e Mário Lanciotti capelão das Irmãs Capuchinhas; em Barcarena (PA) os padres Augusto Cardin e Luís Terzoni; em Moju (PA), Pe. Joãozinho Urbani; em Acará (PA), os padres João Angius e Alberto Pierobon; em Bujaru (PA), os padres Basílio Bósio e Luís Prandin; em Tomé Açu (PA), os padres Pepino Novati e Francisco Villa. O Pe. Siro Brunello estava em Belém, na residência da Igreja da Mercês, a serviço da Igreja e da Prelazia.
Antes das recordações daquele tempo favorável, merece destacar, na Cidade de Abaetetuba, a Fundação da Escola Paroquial de 1º grau foi obra de Pe. Mário Lanciotti e a Fundação do Colégio de 2º grau São Francisco Xavier e do Centro Social Paulo VI, foram obras realizadas por Pe. Vicente Mitidieri. Proverbial a popularidade dos padres Mario Lanciotti e Vicente Mitidieri na Cidade de Abaeté e de Pe. Valeriano Ruaro nas Ilhas de Abaeté.

A Igreja na América Latina quis encarnar o Vaticano II no meio de seus povos e, os xaverianos também se deram conta do “novo jeito de sermos Igreja” e foram animando Grupos de Evangelização, CEBs, Semanas de Formação no Laranjal (Semana Bíblica, Semana Litúrgica, Semana Catequética, Semana Social), CPT, Sindicatos, Congressos Diocesanos... O Centro Catequético da Diocese (com xaverianos, xaverianas e leigos), a partir do ano de 1970, foi uma oficina vivaz e incansável, programando e preparando cursos de formação em todas as paróquias, produzindo Subsídios para os Encontros, Roteiros para o Culto Dominical atendendo pedidos também de outras dioceses...
Gratidão cordial por todos os confrades que celebraram sua Páscoa após ter doado sua vida nestas terras, acolhedoras até dos restos mortais de alguns: Dom Ângelo Frosi, Pe. Mario Lanciotti, Pe. Carlos Mantoni, Pe. Dante Mainini, Pe. Arnaldo de Vidi, Pe. Célio Torresan, Pe. Mário Cordani, Pe. Savino Mombelli, Diácono Luiz Cazzulani, Diácono Santiago Cimarro ...
Atualmente estou trabalhando na tríplice fronteira, na cidade de Atalaia do Norte (AM), Diocese de Alto Solimões (AM), somos quatro xaverianos: Dom Adolfo Zon Pereira, bispo, Marta Barral Nieto, leiga xaveriana espanhola, eu Zezinho Leoni e Alberto Panichella, padres xaverianos.
A paróquia de Atalaia conta com um território de 76.435 km e com uma população de 20.868 habitantes, dos quais, 6.200 Índios, com a maior presença no mundo dos Índios isolados – “o nosso compromisso prioriza o anúncio de Jesus Cristo Libertador as pessoas e populações mais oprimidas e a construção de uma sociedade justa e fraterna. Queremos ser uma Igreja em saída, formadora de pequenas comunidades, ecumênica e promotora do diálogo inter-religioso e inter-cultural, engajadas com os povos indígenas e migrantes, visando fazer do mundo uma só família” (do PCV de 2021-22 da Comunidade Xaveriana Mista de ATN). Tudo a ser realizado na paciência recíproca e com o povo.

Pe. Zezinho Leoni, sx







