Fazer do mundo uma só familia
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Xaverianos
Xaverianos
O ano litúrgico se inicia com o tempo do Advento cujo objetivo é preparar o coração dos discípulos/missionários de Jesus para celebrar e reviver o mistério da Encarnação do Verbo e reforçar a feliz e operosa espera pela vinda definitiva do Senhor na consumação dos tempos. Assim, os fiéis são chamados a reconhecer os apelos de Deus no chão da história sempre grávida da promessa de novos céus e nova terra onde a justiça e paz se abraçarão.
A celebração do mistério natalício assenta-se em duas solenidades: Natal e Epifania, a primeira de origem ocidental e a segunda de origem oriental. Ambas as solenidades realçam, de forma complementar, a riqueza do mistério da Encarnação do Filho Unigênito. A solenidade do Natal celebra o fato histórico do nascimento de Jesus em Belém, curvando-se maravilhada diante do Deus que se fez homem e realça, em toda a sua verdade, a natureza humana do Filho de Deus “semelhante a nós em tudo, menos no pecado”. A segunda, dentro do espírito contemplativo do Oriente, celebra a manifestação de Deus que se revela no tempo e entra na história. Coloca ênfase na natureza divina do “Deus feito homem”, que afugenta as trevas do mundo e o inunda de brilho celestial.
O Natal anuncia o cumprimento das profecias feitas ao povo de Israel e a fidelidade de Deus às suas promessas. A Epifania proclama que o Messias e a sua salvação são para todos os povos, dos quais os Magos são as primícias. Eis, portanto, a valência missionária deste tempo litúrgico: no mistério da Encarnação a nova luz brilhou para a humanidade inteira, não somente para o povo da primeira Aliança, mas para todos os povos que jaziam entre as sombras da morte, agora afugentadas pelo Sol do Oriente, Cristo Jesus, que a todos vem iluminar.
Na relação entre o Natal e a Epifania, antecipa-se o mistério que se realizará plenamente na Páscoa e em Pentecostes. A este respeito, é muito significativo recordar que, justamente na solenidade da Epifania do Senhor dá-se a proclamação da Páscoa e das festas móveis do corrente ano. Desta forma, as duas solenidades (Natal e Epifania) celebram com acentos diferentes, mas complementares, o mistério de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e juntas anunciam que a sua salvação é “para o seu povo e para os seus fiéis”, mas também para todos os homens e mulheres da terra.
Para bem vivenciar o tempo do santo Natal, eis algumas sugestões que podem enriquecer nossas celebrações:
- Na missa ou celebração da noite do Natal, após o ato penitencial, se proceda com o canto ou a recitação da proclamação do natal (Kalenda) que se encontra no missal romano. Após a proclamação, durante o hino de louvor, ao som dos sinos e carrilhões, crianças representando os cinco continentes, podem entrar juntas com a imagem do menino Jesus e colocá-lo no presépio.
- Na missa da Epifania, valorizar a proclamação da Palavra, estrela que hoje nos guia e mostra a direção. Na Aclamação ao Evangelho fazer uma bonita procissão do evangeliário à luz de velas coloridas dos continentes que permanecem ao lado de quem proclama no ambão. Também as preces podem ser preparadas uma para cada continente lembrando a universalidade do mistério salvífico da Encarnação e da Igreja.


















