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Pastoral Indigenista

Nota do CIMI sobre o desaparecimento de Bruno e Dom no Vale de Javari


Manifestamos imensa preocupação com o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, correspondente do Jornal The Guardian, no Vale do Javari, estado do Amazonas, no último domingo, 5 de junho, após sofrerem ameaças de morte de invasores da Terra Indígena (TI) Vale do Javari. 

Ambos se deslocaram até a equipe de Vigilância Indígena, localizada  perto do “Lago do Jaburu”,  próximo também à  Base de Vigilância da Fundação Nacional do Índio (Funai), no rio Ituí, onde o jornalista iria realizar algumas entrevistas com os indígenas. 

Até o momento, três dias após o desaparecimento do servidor da Funai e do jornalista britânico, as buscas para encontrá-los, organizadas pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e por órgãos públicos, não tiveram resultados, trazendo muita apreensão e temor sobre o que possa ter acontecido. 

As organizações indígenas da região vêm denunciando sistematicamente as invasões na TI Vale do Javari, localizada na fronteira com o Peru, por garimpeiros, madeireiros, narcotraficantes, pescadores e caçadores, que se sentem respaldados e empoderados diante da negligência e do permanente ataque aos direitos indígenas por parte do governo federal.

É particularmente grave que essas invasões ocorram na terra indígena onde existe a maior concentração de povos isolados, ou em isolamento voluntário no mundo. O que ocorre no Vale do Javari está intrinsecamente relacionado ao desmonte das políticas e órgãos públicos de proteção aos povos originários e aos seus territórios – acompanhado do enfraquecimento das Bases de Proteção Etnoambientais da Funai, responsáveis pela fiscalização da área, que atualmente se encontram sem a capacidade operacional mínima para desempenhar o seu papel.

Manifestamos nossa solidariedade às famílias, amigos e colegas de trabalho de Bruno Pereira e Dom Phillips e aos povos indígenas do Vale do Javari, sistematicamente e constantemente ameaçados dentro de suas terras. Ao mesmo tempo, seguiremos acompanhando o caso junto às organizações indígenas e indígenas locais.  

Nós, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), reforçamos a necessidade das medidas descritas na Ação Civil Pública impetrada pela Defensoria Pública da União (DPU) e pela organização Univaja, no que diz respeito à ampliar as equipes de buscas e o número de barcos, bem como a viabilização do uso de helicópteros para que as buscas incluam sobrevoos na área. Ao mesmo tempo que exigimos das autoridades locais e nacionais celeridade e transparência, adotando de forma urgente todas as medidas cabíveis na busca pelos desaparecidos. Neste momento, a agilidade nas buscas pode significar a vida daqueles que se dedicam à defesa dos povos indígenas no Vale do Javari. 

bruno

Brasília, 07 de junho de 2022.


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