
Estamos no mês de maio em que celebramos o mês de Maria. Maria nos mostra o “rosto materno de Deus”. O papa João Paulo I, no Angelus de 10 de setembro de 1978, falava: “Deus é pai; mais ainda, é mãe”. Portanto, Deus é Pai com coração de mãe, porque em Maria, Deus assume a forma feminina; em Maria, o feminino se eleva ao nível da divindade. Como afirma o teólogo S. Galilea: “Se nossa Espiritualidade não tivesse o toque feminino e maternal de Maria, correria o risco de se desumanizar, de perder o seu aspecto afetivo e espontâneo que costuma se revestir...”
Deus é ternura com o seu jeito misericordioso de agir. Contemplar, o “rosto materno de Deus” em Maria, é muito mais uma experiência existencial de um amor que se compadece de nossas fraquezas, como atitude de Deus em contato com a miséria humana, com o sofrimento e angústia é comparável à reação de uma mãe diante ao sofrimento dos filhos. Deus nos ama, nos ama como uma mãe (cf. Francisco, Angelus, 9 de junho de 2013). Logo, a necessidade da ternura maternal, talvez explique, em parte, o carinho do povo pela Santa Mãe de Deus, sua confiança e devoção.
Mas será que Deus realmente tem a imagem de Deus como mãe? Será que chamar a Deus de pai não uma metáfora para expressar o amor de Deus para conosco? Na tradição cristã, a imagem “pai” assumiu um forte significado ligado ao fato de Jesus chamar a Deus como “Pai”. É assim que entra no dogma trinitário: Pai, Filho e Espírito Santo. O uso da imagem foi assumindo, ao longo da história como centralidade dogmática e litúrgica com a qual os cristãos nos identificamos.
Maria mostra para os cristãos o "rosto materno de Deus". Portanto, podemos afirmar que Deus é também mãe, o que implica que se estabeleçam relações justas, amorosas, cheias de cuidado e ternura entre mulheres e homens das mais distintas raças, nações, povos e religiões, de maneira que se possa enfrentar as injustas disparidades quanto à qualidade da vida e da saúde em toda a humanidade.
Rafael Lopez Villasenor







