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Missiologia

A missão da Igreja confiada aos Xaverianos


"Amar a nossa vocação xaveriana" Em preparação ao XVIII GC - (2)

 

"Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15), são as últimas palavras que o Senhor ressuscitado dirigiu aos discípulos. O Evangelho, a Boa Nova do Amor de Deus, Jesus Cristo que morreu e ressuscitou para a salvação da humanidade, deve ser anunciado, proclamado, testemunhado a todos os seres humanos.

Não é uma obrigação, muito menos uma imposição, mas um desejo que surge do fundo do coração daqueles que amam o Senhor Jesus com todo o seu ser. É um dever nascido de uma necessidade vital: "ai de mim se eu não proclamar Cristo" (1 Cor 9,16).

É aqui, na missão que a Igreja recebeu do Senhor, que o carisma xaveriano é enxertado. Mas com uma particularidade muito concreta e específica: "Fim único e exclusivo do Instituto é o anúncio da boa nova do Reino de Deus aos não-cristãos" (C 2); e isto como "tarefa própria e exclusiva" (C 17).

Esta distinção carismática é enriquecida por dois elementos específicos: 1. "Pelo nosso carisma especifico, somos enviados a populações e grupos humanos não-cristãos, fora do nosso ambiente, cultura e Igreja de origem"; 2. "Fies às preferências de Cristo, dirigimo-nos em particular, entre os não-cristãos, aos destinatários privilegiados do Reino: os pobres, os fracos, os marginalizados pela sociedade, as vítimas da opressão e da injustiça" (C 9).

O carisma xaveriano na Igreja deve ser acolhido em sua totalidade. "Nós Agradecemos a Deus pelo carisma recebido porque, ao ingressar nesta família religioso-missionária, descobrimos a identidade que o Senhor havia reservado para cada um de nós. No carisma xaveriano, vemos e provamos o ideal de nossa vida" (Carta da DG 2020, 7). Esta é a missão que a Igreja nos confia.

Entretanto, percebemos que "a identidade carismática, na prática, ainda encontra dificuldades para encarnar-se" (XVI CG, 22). Há sinais preocupantes que devem nos alertar. Mencionarei alguns dos que vejo mais claramente: a relativização por vontade própria da dimensão carismática ad gentes e ad extra. Isto se manifesta, por exemplo, na tendência de manter e preservar lugares, estruturas, presenças, atividades que não respondem mais à urgência do Primeiro Anúncio do Evangelho mantidas, sem dúvida, por conveniência, por medo de mudanças e falta de audácia apostólica. "De fato, boa parte de nossas atividades é destinada a pessoas e grupos que já foram alcançados por uma primeira evangelização" (XVI CG, 22).

E, por outro lado, manifesta-se na preferência de permanecer no próprio país, criando entraves à saída missionária. De fato, há alguns irmãos que, após um período bastante curto de vida missionária ad extra, uma vez retornados ao próprio país, não querem mais sair e vivem aparentemente em paz "com o argumento de que a missão ad gentes também podem ser realizadas no próprio país e cultura, devido à presença de não-cristãos em todos os contextos geográficos" (XVI CG 23).

Esta infidelidade ao carisma xaveriano tem raízes muito concretas. A primeira que vejo é a fraqueza de uma verdadeira vida de fé. Sim, porque o amor e a paixão pela missão nascem, cresce e se desenvolve em uma vida intensa de fé no Senhor Jesus. São Guido, em sua Carta Testamento, após ter falado da missão própria do Instituto Xaveriano (1), da vida apostólica, unida à profissão dos votos religiosos (2), da obra do Maligno (3) e dos votos (4-6), começa o nº 7 dizendo: "esforcemo-nos sempre para viver a vida de fé, que deve ser a vida do justo, em geral, e especialmente do Sacerdote e do Apóstolo, a qual nos leva a procurar e querer o agrado de Deus e não o nosso...".

Devemos estar cientes de que quando não permitimos que o Senhor nos guie, mesmo através das mediações próprias da vida religiosa, todas as portas se abrem para ir na direção oposta à busca da vontade de Deus em nossas vidas. O desinteresse pela Família Xaveriana e pelo projeto missionário que a Igreja nos confiou é apenas um dos frutos disso; a relativização dos princípios que nos guiam é outro. Se Deus não ocupa verdadeiramente o centro dos pensamentos, dos afetos, das escolhas, então o 'centro' será inevitavelmente ocupado pelo próprio ego e suas tendências egocêntricas.

A Igreja precisa do carisma xaveriano em sua totalidade carismática e profética. E temos, em virtude do presente recebido, a obrigação de encarná-lo em primeira pessoa. Na Igreja, todo carisma manifesta uma riqueza da missio Dei.  Se nós, missionários xaverianos, não permanecermos fiéis a ela, qual seria o objetivo de continuarmos a existir? Na verdade, a razão pela qual a Igreja nos aprovou é exatamente essa, e não outra! "Se o sal perde o sabor, como pode ser restaurado? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens” (Mt 5,13).

As palavras de São Guido permanecem como fonte inextinguível de inspiração para a vida de todos nós. "Cada um de nós esteja pois intimamente convicto que a vocação, à qual fomos chamados, não poderia ser maior nem mais nobre, como aquela que nos aproxima de Cristo autor e consumador da nossa fé e dos Apóstolos, que, tendo abandonado tudo, entregaram-se inteiramente, sem reserva alguma, ao seguimento dEle, e que nós devemos considerar como os nossos melhores mestres. O Senhor não poderia ter sido mais bondoso para conosco!" (LT 1). E o Senhor continua a chamar jovens para dentro de nossa Família.

Seja por todos conhecido e amado Nosso Senhor Jesus Cristo!

Fernando García Rodríguez, sx 


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