Todos somos discípulos missionários em saída

Entre os dias 21 a 28 de novembro, a Igreja católica latino-americana e caribenha vive uma experiência inédita, a primeira Assembleia Eclesial, que reúne representantes de todos os segmentos da Igreja do continente com o tema: “Todos somos discípulos missionários em saída”.
O Evento eclesial é realizado na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, na cidade do México. A participação acontece com 93 % on-line e 7% presencial, destes somo aproximadamente mil delegados on-line e quase cem delegados de forma presencial. Para contemplar os diferentes setores da Igreja os participantes são 20% de bispos; 20% de sacerdotes, 20% de religiosas e religiosos, 40% de laicos; 1,7% de diáconos, além de 0,7 % de outras religiões. A presencia feminina representa 36% e a masculina é de 64 %. Como curiosidade a mais nova participante tem 17 anos e é da pastoral da juventude e a mais velha 87 anos e é uma leiga consagrada.
O pedido do CELAM (Conferência Episcopal Latino Americana e do Caribe) para realização de uma VI Conferência ao Papa Francisco. Diante da petição, o Papa sugeriu que se fizesse algo novo e inédito, pensou que era necessário que se reunisse não somente os bispos, mas também representantes de todos os segmentos da Igreja e do continente, que compõem o “povo santo de Deus”. Na mensagem que enviou para a Assembleia ele diz: “a Igreja se dá ao partir o pão, a Igreja se dá com todos, sem exclusão, e uma assembleia eclesial é sinal disso; de uma Igreja sem exclusão”.
Os objetivos, traçados para a Assembleia Eclesial são de cunho pastoral, retomando o Documento de Aparecida, porque da V Conferência do CELAM, “ainda temos muito a aprender”. Conferência de Aparecida foi realizada em 2007 no Santuário Nacional de Aparecida em Brasil. Um dos desafios para Francisco é fazer com que todo o Povo de Deus se sinta parte da Igreja. A Assembleia não devia ser um encontro de uma elite, mas teria que implicar todo o povo santo de Deus.
O motivo do lugar escolhido das Aparições da Virgem de Guadalupe, foi por causa da comemoração, no ano de 2031, dos 500 anos das aparições da Virgem a Juan Diego, também, logo a seguir em 2033, a Igreja celebra os 2 mil anos da Redenção da humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Duas figuras femininas de Maria guiam a Assembleia Eclesial: Nossa Senhora Aparecida, imagem negra e ícone da cultura afrodescendente, encontrada há mais de 300 anos no rio Paraíba, em São Paulo, padroeira do Brasil; a Virgem de Guadalupe, remete à efígie indígena de uma mulher grávida, identificada com a Mãe de Deus por quem se vive, padroeira do México e da América Latina e Caribe. As duas figuras de Maria dizem muito da identidade latino-americana e caribenha, como também do cristianismo do continente, uma identidade mestiça, formada por negros e indígenas.
No caminho de preparação da Assembleia Eclesial foi feito por meio de uma grande escuta do Povo de Deus, que envolveu todas as Igrejas locais do Continente. A Escuta aconteceu entre abril e agosto de 2021, através de uma plataforma criada para o preenchimento de um formulário com várias questões. As respostas poderiam ser respondidas em grupos ou de maneira pessoal. De acordo com os dados, a escuta na primeira Assembleia Eclesial da América latina e Caribe, participaram aproximadamente 70 mil pessoas. O Peru foi quem mais contribui no processo de escuta, seguido pelo Brasil. Os textos bases para a Assembleia são o Documento de Aparecida e o Documento para o Discernimento Comunitário que é resultado do processo de escuta do Povo de Deus.
Nestes dias, estamos vivendo uma Assembleia que pretende acompanhar o profundo e urgente processo de renovação e reestruturação da Igreja inspirados pelos quatro sonhos do Papa no documento de Querida Amazônia: ecológico, pastoral, cultural e eclesial. É uma Assembleia com a participação ampla e plena do Povo de Deus, que quer dar relevância ao ser e estar no meio dos gritos dos empobrecidos e da mãe terra neste tempo de pandemia.
Fiquemos com as palavras do Papa Francisco que nos desafia: "Avancem, com coragem!” Esta é a forma de tornar realidade essa novidade que a Igreja da América Latina e do Caribe está propondo.
Rafael López Villaseñor, sx







