
Os votos religiosos são laços santos que nos unem cada vez mais ao serviço divino. São como uma espécie de martírio que, se falta a intensidade da dor, compensa a continuidade de toda a vida.
Quem ama faz loucuras, pelo menos no julgamento de quem nunca amou de verdade. Existe uma convergência entre Francisco e Guido quando falam de Deus, que é um Pai perdidamente apaixonado pela pessoa humana.
O Papa Francisco fala de amor "sem limites", louco: Na cruz "Deus revela finalmente a sua glória: remove o último véu e nos surpreende como nunca antes. De fato, descobrimos que a glória de Deus é toda amor: amor puro, louco e impensável, além de todos os limites e medidas".
“Santa loucura da cruz”: expressão que se repete com frequência nos escritos de São Guido Maria Conforti. Aqui, na Carta do Testamento, de acordo com a sua experiência espiritual mística, ele define a vida consagrada como: "Martírio". E em outro escrito: “Santa loucura da cruz traduzida na prática constante da vida”. Seguir Jesus Cristo, mesmo quando ele percorre o caminho do Calvário, com seriedade e totalidade, até o dom da vida "se forem chamados para isso", disse Conforti repetidamente aos seus missionários.
A palavra "martírio" pode ser assustadora, mas se abandonarmos o grego e traduzirmos para o bom português, é apenas "testemunho". Viver com coerência a vida cristã que recebemos no Batismo, dia após dia, "na prática constante da vida". Uma existência marcada pelo amor que sabe dar livremente, sempre e tudo, até o dom da vida: "excelente fim", segundo São Guido Maria Conforti.
Pela profissão dos votos religiosos viemos a morrer para tudo o que é terreno e viver uma vida escondida em Deus com Jesus Cristo, o que o apóstolo Paulo escreveu aos fiéis primitivos se tornou realidade: "Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus." (Colossenses, 3,3).
É o mais significativo e talvez o gesto evangelizador definitivo. O apóstolo deve ser libertado de tudo o que não é segundo Deus para ser introduzido no espaço do divino e viver a vida do Eterno. Totalmente dominado pelo mistério pascal, pode compreender, viver e anunciar o amor de um Pai que "amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não morra, mas tenha a vida eterna". Ele é assim capaz de anunciar Jesus Cristo, o revelador do Pai, quando como Ele, Jesus, é totalmente doado, consagrado: "Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade".
A consagração a Deus pela missão, própria dos missionários xaverianos, é como um segundo batismo, que se funda e tem a sua razão no batismo que é dom do Espírito a cada cristão. O Papa Francisco diz: "O testemunho é a necessidade que Jesus tem de nós. Dar testemunho do seu nome, porque a fé, o Evangelho cresce pelo testemunho. Este é um caminho misterioso: Jesus glorificado no céu, depois de ter passado a Paixão, precisa do nosso testemunho para fazer crescer, para anunciar, para que a Igreja cresça. E este é o mistério mútuo do "permanecer". Ele, o Pai e o Espírito permanecem em nós, e nós permanecemos em Jesus”.
Alfiero, sx








