Lutar contra o autoritarismo é uma exigência da nossa fé!

Quando discursos religiosos vão na contramão do bem comum é sinal de alerta para se refletir a respeito de sua legitimidade.
O poder religioso não deve interferir no Estado. A separação das esferas do religioso e da política são fundamentais para uma democracia. Porém, o exercício político, na compreensão de política como busca pelo bem-comum, é dever de todos os cidadãos e cidadãs, sejam eles religiosos ou não. Independentemente do credo, as religiões inspiram o desejo de bem-comum. Quando discursos religiosos vão na contramão disso, é sinal de alerta para se refletir a respeito da legitimidade desses discursos.
A religião cristã, majoritária em nosso país, tem uma responsabilidade enorme neste cenário. Ela nasce de um anúncio fundamental: o Reino de Deus. A metáfora empregada por Jesus não deve nos levar a uma confusão conceitual, interpretando o que ele anunciava como se fosse uma teocracia. Logo, discursos que buscam fazer de toda a nossa nação um país cristão, religiosamente falando, não está indo de acordo com a inspiração primeira do cristianismo.
Todo anúncio religioso feito por meio da imposição, ainda que bem-intencionado, é autoritário. E o Reino de Deus em nada se assimila ao autoritarismo: basta que voltemos à pedagogia de Jesus para perceber isso. E essa perspectiva coloca todo cristão e cristã na oposição efetiva contra toda tendência autoritária: não só não busca impor o autoritarismo, como se coloca contrário a toda tentativa que flerte com isso. É preciso ter sempre vivo na memória, isto é, trazer sempre ao coração a postura dos primeiros cristãos e cristãs que, ainda que perseguidos pelos poderes, viviam como os melhores cidadãos e cidadãs.
O Brasil tem avançado numa escalada autoritária e notas de repúdio não são suficientes para conter esse mal. O autoritarismo já chegou ao mais alto do poder. E uma rede bem financiada de apoiadores – inclusive contando com influenciadores que se dizem cristãos e católicos – tem feito todo um trabalho nocivo à democracia, inclusive por meio de fake news para colaborar com o avanço do discurso e da política do ódio. A oposição a isso é um imperativo cristão, nascido do próprio Evangelho: “Entre vós não deve ser assim!” (Mc 10,43).
Felipe Magalhães Francisco. Fonte: Dom total








