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Testemunho missionário dos xaverianos na Amazônia


Em Belém os Xaverianos, nos anos setentas, ‘descobriram’ logo um dos pontos mais preocupantes da cidade: as ‘baixadas’: uma verdadeira cintura de pobreza e miséria que rodeia a cidade de Belém. Mais de 50% da população vive em barracas. Os Xaverianos constataram que a presença da Igreja entre aquelas pessoas era praticamente insignificante. A política econômica da ditadura, que abria sempre mais espaço à grande indústria e à monocultura, favorecera o abandono dos campos e a conseguinte ocupação das periferias das grandes cidades.

xav paráO carisma xaveriano vinha sendo sacudido e interpelado. Assim ano de 1976, quatro Xaverianos foram morar em três centros da periferia, dando início a uma atividade pastoral de inserção e testemunho. Ao mesmo tempo, a proximidade da cidade universitária foi uma ótima oportunidade por um compromisso pastoral entre os estudantes. Porém, antes de trabalhar nas baixadas de Belém, os primeiros quatro Xaverianos iniciaram seu trabalho na Prelazia de Abaeté do Tocantins; hoje Diocese de Abaetetuba.

O tema da evangelização da cultura tornou-se um dos motivos dominantes e meta obrigatória de todo projeto pastoral. Nestes setenta anos de presença, os Xaverianos procuraram viver seu carisma à luz dos fatos que marcaram a caminhada da Igreja da América Latina, especialmente do Brasil, dando sua contribuição à luz do Concílio Vaticano II, e das Conferências Gerais de Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007).Renato1

Os Capítulos e Assembleias dos Xaverianos foram influenciados claramente por este clima: de um lado a esperança e uma certa euforia de se sentir partícipes deste novo caminho dentro da Igreja do Brasil, desejosa de ser protagonista da própria identidade e história, na função libertadora do homem; e de outra parte a resistência para superar incertezas, adotar novos métodos, novas formas de presença e de anúncio.

Os Xaverianos escolheram estar presentes onde Cristo e o seu Reino não foram anunciados; onde há pessoas pobres e marginalizadas a causa das estruturas injustas da sociedade; onde há possibilidades e germes mais apropriados à transformação, em vista do Reino. Isso significa que em todos estes anos o nosso compromisso foi especialmente com a formação dos fiéis no seio das Comunidades Eclesiais de Base, onde é mais expressiva a participação de todos: a formação dos líderes, desde os presbíteros até os catequistas, desde os animadores de comunidades até os coordenadores dos vários movimentos populares.

frosi gazzaOs Xaverianos, desde sua chegada no Pará e no Xingu, deram uma especial atenção à pastoral indigenista e as periferias das grandes cidades do Brasil. Perante o sofrimento do povo, sentiram a urgência de assumir, a nível pessoal e comunitário, a luta pela justiça, que é parte integrante da evangelização. A hospitalidade, acolhida, solidariedade e dedicação ao povo são algumas das características que os Xaverianos procuram praticar.

Desde a chegada no Brasil, era claro que um dos objetivos dos Missionários Xaverianos seria a Animação Missionária, seja na formação do clero local, como na procura de vocações xaverianas. Ao longo destes anos nos envolvemos mais na animação vocacional, especialmente nas paróquias e nos seminários.

Os Xaverianos da Amazônia promoveram várias iniciativas capazes de levar o povo a uma melhor e acertada compreensão da realidade em que vive. A certeza de que “não é Deus a causa dos males que acontecem” e “Deus não quer a injustiça”, juntou-se à descoberta de que a fé partilhada e praticada nas CEBs empurrou os cristãos a caminhar na solidariedade e na luta e reivindicação dos próprios direitos. Assim se organizaram em movimentos, sindicatos, cooperativas para obter o que a vida humana e a Constituição brasileira lhes garantem. Os Xaverianos são conhecidos pelo seu compromisso em favor do homem e da vida.

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Renato Trevisan, sx


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