O sonho de um avião!

Desde a chegada na Prelazia de Abaeté do Tocantins, dom Giovanni Gazza vendo a imensidão do território, com “distâncias continentais” com a única comunicação via fluvial, sonhou com um avião para visitar mais rapidamente as paróquias. Padre Giovanni Morandi, chamado “chumbinho” interessou-se para conseguir um aviãozinho. E conseguiu um monomotor, bem pequenino, com dois lugares apertados, que se aviava ‘lançando’ a hélice.
Em Abaetetuba (PA) foi construído um barracão, ao lado da pista de pouso, onde era guardado o avião. Era o ano de 1964. Mas o Padre Giovanni Morandi foi enseguida chamado para voltar à Itália. Bem no fim de aquele ano chagava o Pe. Siro Brunello, que tinha conseguido a licença de piloto em Turim, na Itália, junto com outros colegas.
O Pe. Siro viajou no fim de dezembro de 1964, para Belém (PA) no aviãozinho para receber de volta do Concílio Vaticano II a dom Giovanni Gazza. Já nesta ocasião aconteceu uma primeira aventura. Chegando ao aeroclube viu que o céu estava coberto de densas nuvens. Foi oportuno adiar a viagem para o dia seguinte, voltando para as dependências de Igreja das Mercês.
Em seguida houve outras viagens, mais ou menos aventurosas, seja pela precariedade do aviãozinho, que pela pouca experiência do piloto. Aconteceram algumas viagens de Abaetetuba para Belém e até Bujaru (PA) para um encontro com o Padre Basílio.
Mas a aventura mais interessante foi no mês de março de 1965, quando chegou a notícia da morte da mãe de Pe. Giovanni Angius, que trabalhava em Tomé-Açu (PA). Não havia telefone e a viagem de barco exigia alguns dias. Dom Gazza logo decidiu: “Vamos de avião!”
A saída de Abaetetuba foi feita pela manhã do dia 08 de março, apontamos diretamente na direção do rio Moju. De fato, não conhecendo o caminho, o jeito era seguir o curso dos rios. Daí descendo até a foz do rio Acará, seguindo depois o seu percurso em direção à Tomé-Açu. As nuvens eram muito baixas e não se podia subir muito para ter uma maior visão. Na chegada sobre Acará (PA), havia pouca visibilidade e assim foi decidido de fazer um pouso na pequena pista fora da cidade. Ficamos parados cerca de uma hora. Enquanto isso, as nuvens pareciam ter-se elevado um pouco mais e assim retomamos o voo em direção à Tomé-Açu. De vez em quando rezávamos uma Ave Maria e pedíamos a proteção de nossos Santos Anjos da Guarda. A paisagem era espetacular: um mar de altas árvores cortadas por uma nesga de rio correndo abaixo de nós. Só este nos interessava, porque era a única referência para não nos perdermos no meio da mata. Foi relativamente fácil a continuação da viagem e lá chagamos na pista de Quatro Bocas (PA). O mesmo Pe. Giovanni Angius veio nos buscar com sua jeep.
Logo dom Gazza deu a notícia da morte da mãe ao Pe. Giovanni; celebramos a missa, rezamos, almoçamos e descansamos um pouco, ante de retomar a viagem de volta. Lá pelas quatro horas da tarde retornamos ao aeroporto. Tomamos voo, mas as nuvens eram tão baixas e ameaçadoras, que decidimos adiar a viagem para o dia seguinte. E foi providencial, porque assim passamos até altas horas da noite conversando com o Pe. Giovanni Angius e matando sua saudade. O dia seguinte o céu estava bem mais límpido. Subindo em quota, deu para enxergar Belém. Foi assim que, com pouco mais de uma hora, alcançamos a meta.
Durante o período que dom Giovanni Gazza esteve em Roma para o Concílio Vacano II, o avião era guardado no Aeroclube de Belém, podendo ser usado por um piloto de confiança. Infelizmente não foi bem assim. O avião foi usado por viagens de prazer. Um domingo vimos o nosso avião chegar em Abaetetuba. Carregava também um menino de nove anos. O piloto, depois de visitar a namorada, começou a fazer acrobacias bem sobre o Colégio São Francisco Xavier em Abaetetuba. Num certo momento se elevou bem alto, mas infelizmente caiu. Piloto e menino morreram na hora e acabou o sonho do avião.

Pe. Siro Brunello, sx.






