Quem sou eu para que a ternura de Deus me envolva assim?

Sábado, dia 14 de novembro de 2020, o diácono François Saleh Moll sx, na paróquia de Bongor (Chade), foi ordenado sacerdote pela imposição das mãos de Dom Jean Claude Bouchard, Bispo emérito de Pala (Chade). Destinado para a nova missão de Marrocos, nos conta suas primeiras impressões como sacerdote missionário nessa terra.
Estou muito agradecido a Deus por minha ordenação sacerdotal como xaveriano e por minha nova missão no Marrocos.
Por um lado, a minha ordenação sacerdotal foi um sinal da ternura superabundante de Deus: foi uma expressão do reino de Deus, porque fomentou a unidade, a solidariedade, o perdão mútuo, o trabalho em equipe, superando as diferenças religiosas, entre muçulmanos, cristãos e animistas. Houve um bom relacionamento entre os vários grupos, todos consideraram a ordenação e as Missas de Ação de Graças uma bênção divina nas terras do Chade e fui considerado um filho cujo evento deve ser preparado com honra.
Os meios foram colocados à disposição das comissões para realizar estes eventos históricos: a Rádio Bongor (Chade) realizou uma animação missionária e vocacional de maneira impecável. Os eventos tiveram uma grande participação presencial. Louvado seja Deus, que reúne seus filhos ao seu redor!
Senti-me pequeno e não digno de tais celebrações: saíram algumas lágrimas de emoção que consegui enxugar com a minha máscara tanto na ordenação como nas primeiras missas. Eu me senti envolvido na ternura de Deus. Sinto que a minha ordenação é um desafio no sentido de me configurar a Cristo, um compromisso de transmitir a misericórdia incondicional de Deus e uma possibilidade de ler os sinais dos tempos que expressam a presença real de Deus na minha vida e na Congregação Xaveriana. Confio na oração de toda a família xaveriana, dos amigos e familiares para que seja um sacerdote da ternura de Deus, feliz, convicto, humano, humilde e, sobretudo enraizado na vivência do Evangelho e do carisma xaveriano. Peço-vos que todos os dias reze esta oração três vezes: “Espírito Santo, fonte de luz, ilumina-nos”, isto vai me ajudar na vida consagrada missionária e sacerdotal.
Outro elemento de grande relevância é a minha chegada à querida terra marroquina no dia 28 de novembro de 2020, sem maiores complicações administrativas tanto nas escalas como no aeroporto de Casablanca. Senti-me bem recebido por Rolando e Juan Antônio, o Cardeal e os outros: isto é misericordiae vultus.
Enquanto estive no Chade, muitos se preocuparam com o fato de eu não ter estado muitos dias na minha família após a ordenação, mas para mim, já é uma expressão da minha doação a serviço do Reino de Deus, que implica sacrificar meus desejos, meu conforto e imediatamente colocando-me ao serviço da proclamação do Amor de Deus. “Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Comecei a amar e a rezar pelo Marrocos a partir da notícia da minha destinação, considero-me familiar dos marroquinos, porque o Senhor me fez um marroquino de coração para esta etapa da minha vida missionária e também durante o Ano jubilar Xaveriano. Agradeço a Deus por esta nova missão, pelos desafios que se avizinham e pela graça que nos anima. A Juan Antônio Flores e Rolando Ruiz Durán. Senhor faça-nos cada vez mais dignos de trabalhar e sofrer pela glória do teu nome e para que sejas tudo em todos.
Pe. Saleh Moll François, sx









