A vocação a qual fui chamado não podia ser maior, nem mais nobre!

Desde a minha entrada na congregação dos Missionários Xaverianos, fiz uma longa jornada. Primeiro, estudei três anos de filosofia em Ananindeua (PA). Depois, fiquei um ano e meio no Noviciado em Hortolândia (SP), e após minha Primeira Profissão, fui enviado à estudar teologia nas Filipinas.

Aqui nas Filipinas, estudei Inglês por um ano e realizei os estudos propedêuticos por outro ano, porque de acordo com a universidade, meus estudos filosóficos estavam incompletos. Após o primeiro ano de teologia, fui enviado para fazer um ano de pastoral, mergulhar na cultura filipina e aprender o Tagalog. Atualmente, estou no quarto ano de teologia e logo terminarei a faculdade. São quase sete anos neste país. Neste tempo tive muitas experiências que fizeram crescer a minha vocação e ter a certeza do meu sim definitivo à Deus.
Enfrentei muitos desafios que me fizeram refletir profundamente sobre o chamado de Deus à vida missionária. Após alguns meses aqui, ainda sem falar Inglês, passei quatro dias na UTI com miocardite. Nesse periodo perdi minha avó, e vim a saber ela havia falecido somente quando recebi alta do hospital. E perdemos também nosso reitor e amigo Pe. Everaldo, no mesmo ano. Em abril deste ano testei positivo para Covid-19, passando vinte dias internado. Todos esses acontecimentos, de alguma forma afetaram minha vocação, ajudando-me a discernir mais sobre minha vida e minha vocação na Família Xaveriana.
Durante minha experiência pastoral, aprendi a confiar na Providência Divina. Ao ver o povo sofrendo cada ano com numerosos tufões, terremotos e outras catástrofes, me fez amar mais ainda a vida missionária e o povo filipino. O povo filipino, apesar do sofrimento, sempre está sorrindo, como se nada estivesse acontecendo. A resiliência dos filipinos é o que mais me impressiona. Talvez, nos sete anos com este povo, o período mais memorável, foi o ano de pastoral na Paróquia São Francisco Xavier. Este foi uma oportunidade para entender mais a cultura local, através da visita aos enfermos, às famílias pobres, com os grupos das CEBs (Comunidades Eclesiásticas de Base). Levando a Comunhão e a Palavra de Deus, percebi
profundamente o sofrimento do povo, muitas vezes vivendo na extrema pobreza. Tudo isso, me ajudou a entender o chamado de Deus e valorizar mais o dom da vocação, dando significado ao meu “sim” à Ele durante a minha Profissão Perpétua.
Estes anos de convivência com a cultura Asiática, especialmente com os Filipinos, fizeram com que esta pequena faísca de fogo e de amor pela missão pudesse arder intensamente no meu coração e ter a certeza sobre o meu “sim” à Deus. No último dia 5 de Novembro, na Solenidade do nosso Fundador, Santo Guido, professei os meus votos perpétuos na Família Xaveriana. Na Consagração Missionária, entreguei-me inteiramente a Deus e à sua missão. No próximo dia 6 de Dezembro, serei ordenado diácono para a missão.
A minha experiência vocacional ajudou a compreender mais as palavras de São Guido: a vocação a qual fui chamado não podia ser maior, nem mais nobre (cf. CT1). Palavras que representam a minha gratidão e alegria a Deus pelo dom da vocação a qual eu fui chamado e aos Missionários Xaverianos por me acolherem nesta Família Missionária. Família pela qual me apaixonei desde o primeiro momento que a conheci. Portanto, peço que rezem por mim para que eu seja fiel ao compromisso que assumi na minha Consagração definitiva, especialmente, diante da ordenação diaconal que realizarei em 06 de Dezembro.
Lucivaldo de Sousa Costa, sx.









