Fazer do mundo uma só familia
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Xaverianos
Xaverianos
Cada vez que se reza o "Credo", diz-se: "creio na Igreja que é uma, santa, católica e apostólica". Algumas pessoas utilizam o adjetivo "católica" para distinguir a verdadeira Igreja das outras igrejas que surgiram depois.
Mas esta forma de entender "católica" não é totalmente correta, pois no número 830 do Catecismo diz-se que "católica" significa "universal" e deve ser entendida em dois sentidos: a) Porque Cristo está plenamente presente na Igreja, já que possui a totalidade dos meios de salvação; e b) Porque foi enviada por Cristo para proclamar o Evangelho a toda a humanidade, sem exclusão de nenhum tipo.
Para entender melhor, seria bom lembrar o que o Papa Paulo VI dizia em sua encíclica Evangelii nuntiandi, quando explicava que, embora a Igreja seja universal, "ela se encarna de fato nas Igrejas particulares, constituídas por tal ou qual porção de humanidade concreta" e, ao lançar raízes em uma variedade de terrenos culturais, sociais e humanos, "assume em cada parte do mundo aspectos e expressões externas diversas".
O fato de pessoas de diferentes culturas aceitarem seguir a Jesus é uma riqueza e, ao mesmo tempo, um desafio para a Igreja. O próprio Papa Paulo VI menciona isso quando diz: "A evangelização perde muito de sua força e de sua eficácia se não tomar em consideração o povo concreto a que se dirige, se não utilizar a sua 'língua', os seus signos e símbolos, se não responder às questões que ele levanta, nem atingir a sua vida concreta. Por outro lado, a evangelização corre o risco de perder a sua alma e desvanecer-se se o seu conteúdo for esvaziado ou desvirtuado sob o pretexto de traduzi-lo".
Embora a inculturação possa parecer fácil, na realidade não é, pois nesse processo de inculturação do evangelho não se deve esquecer o seu caráter sagrado. Se a palavra de Deus é anunciada em suas diferentes formas, é para que a pessoa tenha uma experiência pessoal com Deus que a leve a viver em sua vida os valores do Reino.
Uma maneira privilegiada para esse encontro com Deus é através da oração pessoal e da liturgia. Mas a experiência de Deus é tão rica que, se uma comunidade não tomar cuidado, pode reduzi-la a uma única forma de se relacionar com Ele e, pior ainda, a um simples costume.
Por exemplo, ninguém pode duvidar de que participar de uma missa na Catedral de Notre-Dame, em Paris, pode levar uma pessoa a sentir a presença de Deus ao escutar a solenidade com que o coro canta acompanhado pelo órgão, naquele espaço de estilo gótico onde, quando a luz atravessa os vitrais, cria-se um ambiente místico.
Mas não se pode colocar em dúvida que uma pessoa também possa sentir a presença de Deus quando participa de uma missa com os mousseye em uma cidade chamada Gunu-Gaya, situada no sudoeste do Chade. Ali, por exemplo, os cantos da missa são acompanhados ao ritmo do tambor tradicional. Quando se canta o hino do "Glória", as pessoas dançam e lançam um grito característico para expressar a alegria. A missa é celebrada em um lugar chamado aire sacrée, que é um espaço sagrado ao ar livre.
E aqui surge a pergunta: Como fazer para que uma celebração dentro de uma catedral não perca o sentido festivo do encontro com Deus? Como fazer para que, em um espaço ao ar livre, não se perca o seu ambiente místico? O que fazer para que as celebrações litúrgicas sejam realmente um encontro com o Deus vivo?
Como seria bonito se cada pessoa, ao sair da missa, se expressasse da mesma maneira que Santo Agostinho ao sair da catedral de Milão! "Quanto chorei com os teus hinos e cânticos, profundamente comovido pelas vozes da tua Igreja que cantava suavemente aquelas vozes penetravam em meus ouvidos, e a verdade derretia-se em meu coração, inflamando o afeto de minha piedade e fazendo correr as minhas lágrimas".





















