Fazer do mundo uma só familia
Fazer do mundo uma só familia
Xaverianos
Xaverianos
A Páscoa de Jesus Cristo não é apenas um acontecimento que celebramos, mas um mistério que nos envia. O Ressuscitado não permanece no túmulo, nem permite que seus discípulos permaneçam parados. Ele nos coloca em movimento. A Páscoa é missão. É saída. É envio. É vida que transborda e não pode ser contida.
Neste tempo pascal, somos chamados a redescobrir a essência do nosso ser cristão: somos discípulos missionários. Não por escolha pessoal ou preferência pastoral, mas por vocação. A experiência do Ressuscitado nos arranca de toda acomodação e nos lança ao encontro dos outros, especialmente daqueles que ainda não conhecem o Evangelho ou que vivem nas periferias existenciais da história.
À luz do carisma xaveriano, somos provocados a renovar em nós o desejo profundo de “fazer do mundo uma só família”. Esta expressão não é apenas um ideal bonito, mas um programa de vida exigente, que nos impele a ultrapassar fronteiras — geográficas, culturais e espirituais. A missão ad gentes continua sendo um apelo atual e urgente, sobretudo em um mundo marcado por divisões, conflitos e indiferença.
O Evangelho nos apresenta, neste contexto pascal, o gesto do lava-pés. Jesus Cristo, o Senhor e Mestre, abaixa-se, assume a condição de servo e redefine completamente o modo de viver a autoridade. Para nós, missionários, este gesto não é opcional: é caminho. A missão nasce do abaixamento, do serviço, da capacidade de nos colocarmos ao lado, e não acima. Não há anúncio verdadeiro do Evangelho sem proximidade concreta, sem partilha real de vida.
Como nos recordava o Papa Francisco, a Igreja é chamada a ser “em saída”. Isso significa abandonar toda tentação de autorreferencialidade e assumir, com coragem, o risco da missão. Uma Igreja fechada em si mesma adoece; uma Igreja que sai ao encontro, mesmo com limites, permanece fiel ao Evangelho.
Nesta edição, somos convidados a contemplar a missão em suas múltiplas expressões: na animação vocacional, na catequese, na experiência missionária além-fronteiras, na reflexão sobre a justiça e na vivência litúrgica. Tudo converge para um único ponto: a missão não é uma atividade entre outras, mas o coração da nossa identidade.
A Cultura Missionária Vocacional, tão necessária em nossos dias, nasce precisamente deste encontro com o Ressuscitado. Não se trata de promover vocações como estratégia, mas de criar um ambiente onde a vida possa ser escutada como chamado. Cada jovem que se interroga, cada comunidade que reza, cada gesto de serviço é terreno fértil onde Deus continua a chamar e a enviar.
O testemunho missionário, como aquele vivido em terras africanas, nos recorda que a missão é sempre troca, encontro e transformação. Não levamos apenas algo aos outros; recebemos muito mais. Somos evangelizados pelos pobres, pelos simples, pelos que vivem a fé com autenticidade e alegria.
Em um mundo ferido por guerras e injustiças, a Páscoa nos convida a acreditar que o amor tem a última palavra. A vitória de Jesus Cristo não é a do poder que domina, mas a do amor que se entrega. Esta é a lógica que deve sustentar toda missão.
Por isso, não podemos permanecer imóveis. A Ressurreição nos compromete. Somos enviados a anunciar, com a vida e com a palavra, que Cristo vive. Somos enviados a servir, a partilhar, a construir comunhão. Somos enviados a ir além.
Que este tempo pascal reacenda em nós o fogo da missão. Que possamos, com coragem e fidelidade, continuar a caminhar, levando o Evangelho até os confins da terra e fazendo, de fato, do mundo uma só família.
Uma santa e missionária Páscoa a todos.





















