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Fazer do mundo uma só familia

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Xaverianos

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Revista Digital N. 5 dezembro 2025

Editorial

O caminho da missão e do encontro

  • Pe. Robertos Carlos Marquez s.x.
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A missão é, por excelência, um movimento: um sair de si, um colocar-se a caminho, um deixar-se conduzir por Aquele que chama. A cada edição da Revista Xaveriana buscamos renovar esse impulso missionário que brota do Evangelho e que, desde as origens da Igreja, move discípulos e discípulas de Cristo a ir ao encontro do outro — não por obrigação, mas por amor.

Nesta edição, o Evangelho de Lucas abre o horizonte com o envio dos setenta e dois. Nessa página vibrante, o cristianismo nascente revela o coração de sua identidade: ser uma comunidade enviada. Lucas nos recorda que a missão é universal e participativa — não reservada a poucos eleitos, mas confiada a todos os batizados. O verdadeiro sucesso missionário, ensina Jesus, não está nos resultados visíveis, mas no fato de termos nossos nomes escritos nos céus. A fidelidade é mais importante que a eficácia.b

O Papa Francisco, em sintonia com essa visão, nos convida em Fratelli tutti a um caminho de fraternidade que se expressa na parábola do Bom Samaritano. O segundo artigo desta edição nos leva a refletir sobre “O problema do outro para a fé”: como o encontro com o próximo — sobretudo o ferido e marginalizado — se torna o lugar privilegiado para encontrar Deus. O amor ao próximo, longe de ser uma opção moral secundária, é o verdadeiro critério do amor a Deus. Fechar-se ao outro é tornar-se cego diante do próprio Criador.

Esses dois primeiros textos se desdobram na partilha viva do missionário João Evandro Pereira Cordeiro, que narra sua experiência ad gentes com o povo macena, em Moçambique. Sua história concreta de presença, aprendizado e evangelização torna-se um testemunho da universalidade da missão: o Evangelho encarnado na cultura, na língua, na vida cotidiana das pessoas. Ali, mais que palavras, o missionário oferece o dom da convivência e do testemunho.

O artigo “A Montanha Sagrada” nos conduz a uma dimensão simbólica da caminhada de fé. A peregrinação, seja exterior ou interior, é sempre um exercício de desapego e abertura. Como ensina o autor, a verdadeira peregrinação não se mede em quilômetros percorridos, mas em conversões interiores. No contexto do Jubileu “Peregrinos da Esperança”, essa reflexão nos convida a reconhecer que cada jornada espiritual é, antes de tudo, um retorno ao essencial: o encontro com Deus que habita em nós.

A espiritualidade xaveriana, centrada na cruz e na esperança, encontra sua expressão mais profunda no texto “Olhos fixos no Crucificado: a esperança”. A partir do carisma de São Guido Maria Conforti, somos lembrados de que contemplar o Crucificado é contemplar o amor sem medida de Deus, o amor que sustenta o missionário em suas fadigas e alegrias. Na cruz, a esperança cristã deixa de ser uma ideia para tornar-se uma força que transforma a dor em fecundidade e o limite em oferta.

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Por fim, o tema do silêncio, tratado no artigo “O Silêncio: um valor essencial para a vida”, encerra esta edição com uma nota de interioridade e discernimento. Em um mundo saturado de ruídos e pressas, o silêncio reaparece como condição necessária para escutar Deus, o outro e a própria consciência. É no silêncio que germina a missão, é nele que o discípulo aprende a discernir os caminhos do Espírito.

Assim, a presente edição da Revista Xaveriana é um convite a redescobrir o caminho missionário como uma peregrinação interior, onde fé, encontro, contemplação e esperança se entrelaçam. Que cada leitura nos inspire a manter os olhos fixos em Cristo, os pés a caminho e o coração aberto — porque ser missionário é, antes de tudo, ser peregrino da esperança.