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Missiologia

Paulo Apóstolo missionário itinerante


Fiz muitas viagens. Sofri perigo nos rios, perigo por parte de ladrões, perigos por parte dos meus compatriotas, perigos da parte dos pagãos, perigos nas cidades, perigos no deserto, perigos no mar. Três vezes naufraguei. Passei um dia e uma noite em alto mar” (2Cor  11,25-26).

 Paulo Apóstolo missionário itinerante, que escolheu os grandes centros para facilitar o anúncio do Evangelho a partir das comunidades judaicas. De personalidade forte, intrépida, às vezes parece intolerante, mas soube ser comovente e cheio de ternura.

As viagens missionárias naquele eram muito difíceis, eram no lombo de um animal, a pé, ou de barco. Nas estradas não havia segurança nenhuma. As hospedarias eram mais ou menos cada trinta quilômetros, mas existiam apenas nas grandes estradas. Paulo nunca viajava sozinho, era a comunidade cristã viajando e Evangelizando junto (At 13,35; 15,36-40; 18,18; 19,22; 20,4-5; 21,16).  O grupo missionário enfrentava perigos e ameaças constantes (2Cor 11, 23-38).

pauloViajar implicava passar algumas dificuldades com a comunicação para anunciar o Evangelho. Paulo falava grego, hebraico, aramaico e, talvez, latim. Porém na Ásia Menor os dialetos e as línguas faladas eram dezenas e o povo simples não fala grego, nem hebraico, nem latim. Paulo diz na carta aos Gálatas: “Diante de vós foi desenhada a imagem de Jesus crucificado!” (Gl 3,1). O que faz supor que devia muita vez usar gestos de comunicação e desenhos. É claro que deveria também ter tido intérpretes.

Para viajar era necessário ter uma boa saúde. Quem era doente não podia aguentar as canseiras, as noites mal dormidas, as comidas diferentes (2Cor 11, 25-27). Paulo devia ter uma boa saúde, porque viajou bastante para anunciar o Evangelho, inclusive trabalhando para se sustentar como missionário (1Tm 5,23).

O sustento nas viagens era um problema. Em geral cada dia se caminhava uma média de trinta quilômetros. As viagens longas eram caras, precisava de dinheiro para comprar comida e para se hospedar. Como é que eles faziam? Geralmente, interrompiam a viagem, paravam e trabalhavam para conseguir o dinheiro suficiente. Assim, por exemplo uma viagem de 600 quilômetros podia durar dois meses ou mais. Quando Paulo chegava a um lugar, uma das primeiras providências era procurar uma oficina, onde pudesse conseguir biscate e ganhar, uns trocados. “Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo” (At 20,33-34).

Paulo, também mantinha contato com as comunidades cristãs através de mensageiros (Cl 4,10, 1Cor 1,11; 16,12-18; 1Ts 3,2-6) e de cartas. Pedia que suas cartas fossem lidas nas reuniões da comunidade (1Ts 5,27). Escrever cartas era, naquele tempo, muito difícil, exigia uma pessoa especializada. Porém, ele continuava alimentando as comunidades através de visitas, aconselhamentos e cartas.

Usou todos os meios disponíveis para anunciar o Evangelho, viajou de navio, a cavalo, a pé… foi preso pelo menos três vezes. Sofreu muito por causa do Evangelho. Foram mais ou menos doze anos viajando e andando de cidade em cidade. Eram viagens missionárias muito distantes e difíceis (Cf. At 13-20).

Hoje também somos chamados a sermos como Paulo discípulos e missionários. A não nos acomodar e ser Igreja em saída, itinerante e serva, de acordo com o Papa Francisco: “saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG 49).

A firme decisão missionária deve impregnar todas as forças da igreja, deixar de lado a tentação de permanecer nas estruturas caducas, que não respondem mais as novas realidades. Nenhum cristão ou comunidade deve se isentar de entrar “decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DAp 365).

Rafael Lopez Villasenor, sx


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