A vocação à qual fomos chamados, não podia ser maior nem mais nobre

‘A suprema autoridade da Igreja como bem sabeis aprovou definitivamente as Constituições da nossa Pia Sociedade em data de 6 de janeiro e agora eu vou entrega-las reeditadas com algumas pequenas modificações inseridas pelas Sagradas Congregações Romanas’ (São Guido Maria Conforti Carta Testamento 1).
Com essas palavras, o bispo Conforti, na nossa Casa Mãe, começou a escrever a quinta Carta Circular enviada "aos caríssimos Missionários presentes e futuros da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras". O objetivo desta carta era comunicar a aprovação final de nossas primeiras constituições pelo dicastério romano. Nela ele convidou, antes de tudo, "a agradecer ao Senhor" e, ao mesmo tempo, chamou a atenção "para o compromisso grave e solene que acabamos de assumir perante Deus e a Igreja." (CT 1). Era o dia 2 de julho de 1921.
Na programação da Direção-Geral (DG) para o período de 2017-2023, no ponto 2.2, referente ao documento do XVII Capítulo Geral sobre Identidade Carismática, nós escrevemos: "Seguindo o espírito desse documento sobre a Identidade xaveriana, pensamos em valorizar, particularmente o primeiro centenário das primeiras Constituições e da Carta Testamento, que coincide também com o aniversário dos 125 anos da fundação do Instituto, dedicando-lhe um ano completo, um ano jubilar de julho 2020 a julho 2021". (I Quaderni de iSaveriani 102, p. 10).
Esta carta, que publicamos exatamente cem anos após a Carta do Testamento (CT) do bispo Conforti, foi preparada para ajudar-nos a viver intensamente este ano de jubileu como Família. Acima de tudo, queremos lembrar e sublinhar alguns princípios essenciais da vida xaveriana que devem fornecer conteúdo e orientar o que foi planejado ou será planejado para apoiar e dar um novo impulso ao nosso serviço missionário ad gentes, seja a nível pessoal, local, seja em nível de circunscrição e também a nível geral.
A carta tem como título uma frase escrita pelo bispo Conforti no início da CT: "Portanto, cada um de nos esteja pois intimamente convicto que a vocação, à qual fomos chamados, não poderia ser maior, nem mais nobre, ..." (CT 1). Começamos pela observação de um grande fato: somos guardiões de um dom maravilhoso, colocado livremente pelo Senhor em nossos corações e em nossas mãos. Um dom que nos é dado para fazê-lo dar frutos cem vezes mais daquilo que recebemos. Da nossa parte, portanto, é preciso muito comprometimento e responsabilidade.
A carta é dividida em três partes. Na primeira parte, agradecemos ao Senhor pelo dom recebido, pelos confrades que viveram e que vivem hoje a novidade profética do carisma xaveriano encarnado nos quatro continentes onde estamos, e pela extensão do carisma a todo o povo de Deus.
A segunda parte, que é a mais extensa, é dedicada à resposta que, como filhos de Conforti, estamos dando ao dom recebido. A princípio, lembramos os documentos fundadores de nossa Família e as características essenciais do Carisma Xaveriano. Continuamos com uma breve análise de alguns aspectos relacionados à nossa experiência, destacando os pontos fortes e fracos que caracterizam nossa realidade hoje. Concluímos esta parte indicando alguns sinais dos tempos que nos desafiam e são para nós uma oportunidade da graça para podermos incorporar de maneira renovada, aqui e agora, o dom do carisma xaveriano.
Na terceira parte, partindo de nossa realidade atual, olhamos para o futuro imediato que está diante de nós, à luz dos ideais que encontramos na palavra de Deus e nos escritos xaverianos fundamentais. Nós olhamos para o futuro como Jesus Cristo fez quando ele chamou cada um de nós para segui-lo de perto na Família Xaveriana. Nós olhamos para o futuro como quando o bispo Conforti, em 3 de dezembro de 1895, iniciou esse pequeno rebanho superando grandes obstáculos, ou como quando ele escreveu a CT. Observamos o futuro como quando os confrades, reunidos no XI Capítulo Geral (1983), escreveram e aprovaram o novo texto de nossas Constituições. Nós olhamos adiante, também nos permitindo de sonhar, porque o Espírito de Deus nos acompanha. Somente assim podemos ser o que o Senhor nos pede e a Igreja espera de nós.
Decidimos deliberadamente abundar nas citações da Palavra de Deus e de nossos textos fundadores (especialmente da Carta Testamento e das Constituições). São "palavras" que nós não podemos prescindir, mas que muitas vezes tomamos como garantidas, tornando-as irrelevantes. Elas são a bússola indispensável que indica a direção que todo xaveriano deve seguir e que o ajuda a ser firme na fé, constante na esperança, perseverante na caridade.
No momento em que estamos terminando a redação desta carta, a pandemia do Covid-19 surgiu com as consequências mundiais que já conhecemos. Nossa família foi atingida pelo coronavírus, particularmente no seu coração, isto é, na Casa Mãe. Um bom número de confrades nos deixou. Trazemos conosco a dor da perda deles e a sensação de impotência diante de uma tragédia tão grande. Assim, compartilhamos a realidade de muitas pessoas que são vítimas da mesma pandemia.
Neste momento em que estamos nos preparando para celebrar o ano do jubileu, o testemunho desses confrades, principalmente idosos e fisicamente frágeis, destaca o valor de uma vida vivida no amor ao Senhor na particularidade carismática xaveriana. Nada foi perdido e nada foi inútil. A memória deles permanece em nós como um legado precioso. Eles não receberão esta carta em suas mãos, mas temos certeza de que a ´lerão´ juntamente com todos os confrades que nos precederam e, juntamente com o nosso Fundador, intercederão por nós nos acompanhando no caminho deste ano de jubileu.
Confiamos o acolhimento e os frutos desta carta, em particular, à intercessão de São Guido M. Conforti, nosso pai e fundador.








