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A Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, celebrada no último domingo do Ano Litúrgico, encerra o ciclo anual da liturgia, mostrando que Cristo é o centro da história, o Senhor do tempo e Rei dos corações. Esta celebração é recente no calendário da Igreja, possui raízes teológicas antigas. Ela recorda que o reinado de Cristo não se fundamenta no poder, mas no serviço; não se impõe pela força, mas pela verdade e pela caridade.

Desde os primeiros séculos, a Igreja professou que Jesus é o Senhor. Essa convicção foi reafirmada no Concílio de Niceia (325), primeiro concílio ecumênico, realizado na Ásia Menor, que definiu contra Ário a plena divindade do Filho: “Cristo é Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.” Definição que não tem apenas implicações doutrinais, mas cósmicas e existenciais, confessar a divindade de Cristo significa reconhecê-lo como centro e sentido da criação e da história.

Após a Primeira Guerra Mundial, em um cenário de instabilidade social, avanço do secularismo e expansão do comunismo na Rússia, o Papa Pio XI instituiu a festa de Cristo Rei em 1925 por meio da encíclica Quas Primas, no 1600º aniversário do Concílio de Niceia. Pio XI afirmava que a verdadeira paz e a justiça só podem florescer quando a sociedade reconhece a soberania espiritual de Cristo.

A devoção a Cristo Rei se fortaleceu no México durante a “Guerra Cristera” (1926–1929), período em que o Estado buscava controlar o culto religioso. O grito “¡Viva Cristo Rey!”, era a expressão fervorosa de fé, como ato público de lealdade a Cristo verdadeiro Rei.

A festividade era celebrada no último domingo de outubro, antes de Todos os Santos, com a reforma litúrgica de Paulo VI, em 1969. O Papa alterou seu nome para o atual Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, e a transferiu para o último domingo do Ano Litúrgico.

Ao concluir o ano litúrgico com essa solenidade, a liturgia proclama que o reinado de Cristo não é apenas uma verdade espiritual, mas uma promessa futura e definitiva, o dia em que Ele será “tudo em todos” (1Cor 15,28).

A Solenidade de Cristo Rei do Universo é, ao mesmo tempo, um olhar para o passado, uma leitura do presente e uma esperança para o futuro. Lembra-nos que a verdadeira paz, a justiça plena e a fraternidade universal só podem se enraizar em corações e sociedades que acolhem o reinado de Cristo.


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