São Oscar Romero: “A glória de Deus é o pobre que vive”

Estamos comemorando 45 anos do martírio de São Oscar Arnulfo Romero, assassinado enquanto presidia a Eucaristia em San Salvador, capital de El Salvador, em 24 de março de 1980, por defender a justiça e os pobres; força espiritual de sua palavra em defesa da vida, em nome da esperança, da justiça e da libertação.
O teólogo Jon Sobrino diz que a fórmula “fora dos pobres não há salvação” (extra pauperes nulla salus) é uma novidade, um escândalo e, certamente, algo contracultural. Trata-se de sacudida para levar absolutamente a sério a prostração de nosso mundo e o que há de salvação debaixo da história, que tantas vezes se ignora, não se compreende e se despreza.
A frase dita por São Oscar Romero: “A glória de Deus é o pobre que vive” (Gloria Dei vivens pauper). É a partir dos pobres que se reformula o mistério de Deus. Os pobres deste mundo são o lugar teológico do encontro com o Deus da vida, com o Deus libertador.
O camponês entendeu bem a opção de São Romero pelos pobres: “Ele nos defendeu como pobres”. Monsenhor defendeu os pobres e oprimidos do país. Ele não optou apenas por eles. Esta defesa significou promover a organização popular e a assistência jurídica para defender os camponeses e as vítimas daqueles que os oprimiram e reprimiram. E certamente, semana após semana, ele defendeu os pobres e as vítimas com a verdade que proclamava publicamente nas suas homilias. Fica claro, então, que São Oscar Romero defendeu os oprimidos.
Mas você também precisa entender o que significa defender. Defender significa enfrentar e, quando necessário, lutar contra aqueles que atacam, empobrecem, perseguem, oprimem e reprimem. Para defender os pobres, São Oscar Romero confrontou aqueles que mentem e assassinam, sejam pessoas, instituições. E a sua defesa foi primária, que Para defender os pobres, confrontou aqueles que mentem e assassinam, sejam pessoas, instituições ou estruturas – e aceitou o preço a pagar.” foi muito além do que se convencionou entender por “defender um caso” com o objetivo, ainda, de “ganhar um caso”, como frequentemente aparece nos programas de televisão. Ganhar um caso nunca foi a perspectiva de São Oscar Romero, obviamente. Trabalhou e lutou para que a realidade maltratada, a justiça e a verdade vencessem. Mais a fundo, trabalhou e lutou para que algum dia os habituais não perdessem. Ele foi defensor dos pobres com tudo o que era e tinha.
São Oscar Romero concebia e fazia questão de orientar, em sua atuação pastoral e profética, uma volta ao mundo dos pobres, um mundo real e concreto, assumindo quatro pontos importantes:
- Encarnação no mundo dos pobres. A aproximação com o mundo dos pobres, entendida como encarnação e conversão para fora da Igreja.
- O anúncio da Boa-nova aos pobres. O encontro com os pobres revelou a verdade central do Evangelho: “Felizes os pobres no Espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3). À luz da Palavra de Deus, a esperança e a ação segundo os valores do Reino.
- Compromisso com a defesa dos pobres. A Igreja deve pôr-se sempre ao lado dos pobres e assumir, sem dúvida, a sua defesa.
- Igreja perseguida por servir os pobres. A perseguição faz a Igreja testemunhar com maior garra a opção feita por Jesus de Nazaré em defesa dos pobres. A perseguição e ataques sempre estão e estarão ligados à defesa dos pobres.
Em sintonia com o pensamento de Romero e pedindo sua ajuda na caminhada, com alegria e esperança, sejamos seguidores de seu legado em prol da justiça e dos pobres.
Emerson Sbardelotti (Fonte: vidapastoral.com.br • ano 66 • no 362).









