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Artigos

Inconformados com o assassinato  do Bruno e Dom


Há três anos a paróquia de São Sebastião em Atalaia do Norte (AM) é atendida pastoralmente pelos Missioneiros Xaverianos (Pe. Alberto, Pe. Zezinho e a leiga Marta) que aos poucos vão se inserindo no meio dessa realidade desafiadora e complexa.

atalaia0Vivemos toda a angustia da procura do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips, desembocada no descobrimento dos corpos sem vida destes dois defensores do ambiente e do território indígena. A população do município ficou chocada e revoltada. O fato foi divulgado no mundo inteiro. Nos primeiro dias após o desaparecimento o esforço de busca por parte das instituições foi mínimo. As autoridades federais, estaduais e locais no começo foram omissas. O que moveu as autoridades foi o fato do que o Dom era inglês. Seguiu a prisão de suspeitos o primeiro dos quais confessou e levou a polícia no local onde os corpos foram enterrados. Logo, os corpos foram levados para Brasília para a autópsia e acertamentos.

Os dois tinham ido fiscalizar as ribeiras do rio Ítaquai, onde se encontram comunidade ribeirinhas, de quais supostamente partem umas invasões predatórias para saquear o território indígena próximo pertencente ao do vale do javari. A paixão dos dois também era pela defesa dos indígenas, sobretudo os Corubos, daquela região.

As invasões de criminosos no vale do javari território demarco são de vário gênero: garimpo, pesca (queloides principalmente), desmatamento e sobretudo tráfico de drogas vindas do Peru. De fato ninguém impedia essas atividades, mercado de morte. Se alguém combatia essas barbaridades era morto, como o Maxciel em 2019.

Isso foi o que aconteceu com o Bruno e o Dom. O maior problema é que provavelmente capitalista brasileiros peruanos e colombianos são donos deste mercado de morte e acumulam lucros, pagando executores pobres, em situação de necessidade, trata–se de verdadeiras máfias.

O Dom estava coletando dados e situações para seu livro “Como Salvar a Amazônia”, e tinha juntado provas das atividades ilícitas. Por outro lado a versão das forças policias na coletiva – imprensa após a descobertas dos corpos relata que o homicídio aconteceu por causa dos graves conflitos entre alguns pescadores, supostamente invasores e o Bruno.atalaiajpg

Na segunda dia 13 de junho os indígenas presentes em Atalaia fizeram uma passeata e manifestação muito oportuna. Eles estavam tatuados com os símbolos de cada etnia. A passeata e as intervenções dos líderes indígenas na praça foram de solidariedade com as famílias dos dois, de elogios cheios de sentimento, lembrando em especial o compromisso do Bruno, denunciando as invasões e a omissão e descaso das autoridade. Pe. Zezinho Leoni tomou a palavra no fim dos discursos agradecendo os indígenas pela lição de união, revolução pacifica e fraternidade. Houve muitas acusações contra o governo Bolsonaro, o presidente federal da FUNAI, os invasores, a não proteção fiscal e policial, o abandono dos perseguidos e ameaçados. Os “parentes” afirmaram insistentemente que querem viver em paz e fraternidade.

Como Igreja denunciamos os crimes, rezamos nas missas da paróquia São Sebastiao e conversamos nos encontros dos leigos. No dia 16 de junho, festa do Corpus Christi fizemos a procissão num clima de luto, com referência à sexta–feira Santa, rezando em silencio, ao som de música instrumental. Na missa eu expressei a solidariedade com as família enlutadas e com aquelas dos supostos autores matérias do assassinato, denunciado as invasões, o descaso com os indígenas e as possíveis máfias que estariam por trás. Ainda alertei sobre a importância do voto consciente no próximo dia 02 de outubro, em função da mudança. Pedimos ao Senhor para que este martírio sacrifício sirva para que a justiça vença para a paz neste sofrido município de Atalaia, para que sejam desvendado as causas estruturais e conjunturas dos crimes e sua autoria, para uma maior presença das forças de segurança e para que reme o respeito para todos.

Pe. Alberto Panichella, sx

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