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Artigos

A Pedagogia da Esperança de Paulo Freire


Este ano em que a Campanha da Fraternidade é sobre a Educação, o pensamento de Paulo Freire, no centenário do seu nascimento, deve ajudar a fortalecer a nossa esperança. Ele é patrono da educação brasileira. Um dos pensadores mais lidos no mundo. Suas obras são traduzidas em 35 países nos cinco continentes.

Educador por vocação, com ousadia, criatividade, determinação, coragem, espalhou o sonho de uma prática educativa que tem o próprio educando como protagonista do percurso de aprendizado, durante o qual possam se relacionar contextos sociais, consciência crítica e militância na transformação do mundo.

A Pedagogia da Esperança foi escrita em 1992, em um contexto mundial de desesperança. Ainda se respirava, naquele momento, o ar da ditadura militar e suas consequências. O Brasil teve um difícil início na pós-ditadura, com a desastrosa atuação de Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito que sofreu impeachment.  

Falava-se ainda da crise das utopias com a queda do muro de Berlim e da União Soviética. É aqui que Paulo Freire se coloca como um modelo de utopia. Ele não se apresenta como um mero sonhador. Ele acreditava na história e na luta que se fazia história

O autor defende, nessa obra, que esperançar é acreditar, que um futuro diferente é possível. É compreensível que elementos desfavoráveis levem a acreditar que seja inútil se pôr em marcha. Contudo, o apelo é para esperançar, acreditar e buscar os meios necessários para dar um novo sentido à história.

A obra Pedagogia da Esperança é uma crítica a toda prática que imobiliza as pessoas, que as leva ao desânimo, à mediocridade realizando somente aquilo que se pede. Crítica, também, afirmações como “sempre foi feito assim”, “nós seremos sempre os oprimidos”, que continuarão vagando pelas estradas da desesperança. Por isso, “é inútil continuar gastando energias com algo que nunca será mudado”. Paulo Freire acreditava que, em toda em qualquer situação de opressão, é possível buscar vias de libertação.

O autor assim define a sua obra: “A pedagogia da Esperança: um encontro com a pedagogia do oprimido é um livro assim, escrito com raiva, com amor, sem o que não há esperança. Uma defesa da tolerância, que não se confunde com a conivência, da radicalidade; uma crítica ao sectarismo, uma compreensão da pós-modernidade progressiva e uma recusa à conservadora, neoliberal”. É verdade que, muitas vezes, encontramo-nos em situações-limites, diz Freire. São elas que, de forma violenta, levam a pensar que não existem outras saídas.

Ana Maria Araújo Freire, esposa de Paulo Freire, comenta que as pessoas que vivem nessas situações-limites podem apresentar várias atitudes: percebê-las como algo impossível de se transpor, ou como obstáculos que não querem ultrapassar e ainda como algo que sabem que existe e que necessita ser rompido e por isso, se empenham na sua superação.

Paulo Freire convida à criatividade, ou seja, reinventar um novo viável, que está em constante diálogo com a utopia. A pessoa se encontra em uma situação-limite, mas se projeta num processo de libertação, mesmo que seja consciente de que não haja, no momento, condições para isso. Daí a necessidade de fazer o que é possível no momento presente e buscar ferramentas para um novo amanhã possível.

É preciso ir além da consciência da nossa esperança. É necessário cultivá-la. Para Paulo Freire, é preciso mais atenção ao saber individual e coletivo e ir ao encontro da compreensão daquilo que ainda não sabemos. Pois é no coletivo que acontece a produção dos novos saberes levando ao florescer da Esperança.

Daí sua conclusão de que a educação é eminentemente esperançosa. É a ferramenta necessária para dar respostas aos desafios que a humanidade apresenta em cada contexto histórico. Ao referir-se à obra Pedagogia da Esperança, Jason Mafra, diz que a função da utopia é desacomodar, fazer a gente caminhar.

Elisabete Miguel Espinhara


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