Experiência Missionária do Pe. César nas Filipinas

Para partilhar a minha experiência missionária procuro sempre falar a partir do centro de todo o trabalho missionário, ou seja, a Palavra de Deus, à qual fui enviado a anunciar. Por isso, aqui gostaria de ter como base para narrar minha experiência a realidade dos primeiros discípulos, especialmente de Pedro e João, quando afirmam no Atos dos Apostolos: “Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos” (At 4, 20). Ressalto, ainda, que estas palavras foram escolhidas pelo Papa Francisco para sua mensagem no Dia Mundial das Missões/2021.
Retomando, como os primeiros discípulos nós estamos em um momento de grandes dificuldades. Não somente pela pandemia, mas pelo agravamento de inúmeras questões sociais que não vão de encontro a realidade dos que mais necessitam. Sendo assim, em meio a essa situação quero também dizer como Pedro e João: “Não posso deixar de afirmar o que vi e ouvi nesse tempo que o Senhor preparou para mim aqui nas Filipinas”.
Estou há treze anos fora do Brasil, sendo cinco na Itália para estudos e os últimos aqui nas Filipinas. No imaginário de muitos a Missão é sempre em algum lugar em meio à floresta ou em lugares desertos, poucos imaginam que a grande missão da Igreja, em muitas partes do mundo se dá em meio às grandes cidades, como Manila, onde eu estou trabalhado. É evidente que lugares com um cotidiano agitado, devido às grandes aglomerações urbanas que concentram um enorme contingente populacional nos causam medo ou pelo menos algum tipo de apreensão. Mas, mesmo diante da agitação da grande cidade podemos ver e ouvir a ação do Senhor que não nos deixa calar.
Manila, por exemplo, é uma metrópole de mais de quinze milhões de habitantes, os números nunca foram precisos, pois como toda capital concentra-se pessoas de vários lugares. Sabendo que, as Filipinas é um arquipélago formado por mais de 7,100 ilhas pode-se imaginar o quanto é diversa a população desta grande cidade.
Quanto ao meu trabalho desde quando cheguei em Manila há oito anos foi atuar na formação de novos missionários no seminário de teologia. De certa forma, esse trabalho não me coloca em situações de contato direto com o povo, como os meus confrades que trabalham na paróquia, porém tenho muitas oportunidades para esses encontros. Em relação, a rotina na casa de formação mudou pouco no tempo de pandemia, pois o ritmo continuou o mesmo com os estudos (online), os encontros pessoais com os estudantes, os encontros comunitários de formação e tantas outras atividades essenciais que permitem o aprofundamento da missão.
Por outro lado, entendo que formar missionários é um desafio que está muito além das minhas capacidades, por isso, que confio na ação e ajuda do Senhor e depois de tantos anos não posso deixar de afirmar o que vi e ouvi. Por motivo me lembro um episodio quando o Papa Francisco visitou as Filipinas. Um evento histórico para o país. Meses antes da visita veio uma repórter à nossa comunidade para fazer uma daquelas matérias televisivas para a ocasião. Depois da entrevista começamos a falar da vida e da missão; ela em sua admiração pelo trabalho missionário disse: “Penso que para ser missionário precisa ter muita coragem, muita fé, muita força...” e muitos outros muitos que não me recordo. Em resposta, eu disse: “eu tenho pouca coragem, pouca fé, pouca força... tenho somente a certeza que o Senhor sabe trabalhar com esse pouco de cada um e que...”: “Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos” (At 4, 20).
Pe. Cesar da Silva sx







