Os Missionários Xaverianos entre os Indígenas Kaypó

Até os anos setenta, a presença dos Xaverianos na Amazônia estava ligada apenas com a Prelazia de Abaeté do Tocantins. A aproximação às populações indígenas, no entanto, aconteceu graças à solidariedade e colaboração entre as igrejas locais da região. A abertura à cooperação com a Igreja do Xingu, para os Xaverianos, representou o primeiro passo no processo de aproximação às populações indígenas e a toda a questão da pastoral junto aos índios.
A chegada dos Xaverianos à Prelazia do Xingu, e a opção destes pela Pastoral Indigenista, marcou de maneira definitiva a integração por parte da Igreja local do pensamento e espirito do Concílio Vaticano II. Através das opções feita por eles, o modelo “tradicionalista” de fazer missão deu espação ao novo paradigma, uma forma diferente de conceber e se fazer a missão. No testemunho alegre e na presença silenciosa, no diálogo paciente, na contemplação e na ação, na caridade e na luta pela justiça, no anúncio profético e libertador, trata-se de um desdobramento do “Evangelho da Graça”, que é ao mesmo tempo Evangelho da solidariedade”.
Desde o início, os Xaverianos manifestaram seu interesse na pastoral junto às populações indígenas. Assim, nos primeiros tempos, deram continuidade às visitas periódicas às aldeias do Alto Xingu e do Iriri, com a intenção de se fazer conhecer e retomar as atividades que até então tinham sido levadas adiante pelos missionários do Preciosíssimo Sangue de Cristo.
Logo nas primeiras viagens de desobriga manifestaram insatisfação com esse tipo de prática pastoral. O padre Renato Trevisan, um dos missionários Xaverianos da equipe, assim o manifestou em seus relatórios: “Fica na consciência que a Igreja se apresenta como uma instituição empresarial, cujo responsável é o missionário. Aos olhos dos índios e das populações ribeirinhas, o missionário era o representante de uma organização de caridade todo poderosa, de quem se devia aproveitar o máximo possível. Este estado de coisas criava uma relação nada favorável ao trabalho de evangelização”
A finalidade principal das primeiras visitas era de conhecimento mútuo. No entanto, o fato de chegar com o barco cheio de mercadorias, presentes e encomendas acabou comprometendo o objetivo. Por outro lado, como esta era a prática comum até então utilizada, o jeito era se servir dela como instrumento de mudança.
A partir dos questionamentos e inquietudes, os Xaverianos decidem dar um passo à frente. Dessa forma, e no intuito de realizar um trabalho mais específico com os índios, aceitaram assumir a responsabilidade pastoral da paróquia de São Félix do Xingu cuja área abrangia os territórios da maioria das aldeias Kayapó, no Alto Xingu.
Desde os primeiros contatos com os indígenas, perceberam a importância da aprendizagem da língua, para uma compreensão da cultura do povo Kayapó. Para eles, o conhecimento da língua e da cultura era um elemento essencial, se quisesse alcançar uma verdadeira convivência com os indígenas. Isso, sem dúvida ficou muito claro, assumindo assim a comunicação como um dos primeiros desafios a serem superados. Com efeito, em 1984, a equipe dos Xaverianos no Alto Xingu, incluiu no planejamento anual das atividades pastorais da paróquia de São Félix, tempos e meios reservados para aprimorar-se nos aspectos da língua e da cultura.
Não demorou muito tempo para que os Xaverianos percebessem que o processo de aproximação com os indígenas precisava avançar. Assim, nas primeiras avaliações da atividade pastoral, consideraram que as visitas aos índios representavam uma fase que deveria ser superada e substituída pela presença permanente nas aldeias de uma equipe de missionários.
O passo seguinte não demorou acontecer. Logo no início do ano de 1984, dois missionários Xaverianos deram início ao processo de inserção, indo morar na aldeia de Kikretum do povo Kayapó. Posteriormente, expandiriam a presença a outras aldeias vizinhas. Foi assim que deu início a experiência de inserção dos primeiros missionários Xaverianos, junto ao povo Kayapó do Alto Xingu.
No ano de 1997, uma nova equipe de Xaverianos retoma a inserção indo morar na aldeia Mojkàràkô, fundada pelos Kayapó dois anos antes, próxima das duas anteriores. A nova experiência de inserção só foi até o ano de 2003. Devido à carência de pessoal, às transformações conjunturais e política da época, e às mudanças dos próprios missionários dentro da Congregação, não foi possível dar continuidade ao processo. A partir dali os missionários Xaverianos passaram a desenvolver um tipo de acompanhamento dos Kayapó à distância, com um Centro de apoio na cidade de Redenção e visitas frequentes na maioria das aldeias.
Raymundo Camacho, sx









