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Revista Digital N. 6 abril 2026

Liturgia e missão

A Liturgia numa perspectiva pascal...

  • Diác. Albio Júnior
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Estamos atravessando um período muito intenso em nosso itinerário litúrgico.  Durante a quaresma vivenciamos a experiência de três dimensões: a oração, o jejum e a caridade, (não obrigatoriamente nessa ordem), mas as três se entrelaçando e nos conduzindo para dentro da espiritualidade (mistagogia) que este tempo exige.

Uma autêntica caminhada interior que nos deveria ajudar a exigir-nos mais processos de conversão a partir de certos esvaziamentos e a desconstrução de convicções pré-concebidas, nos ajudando a abandonar um sentimento de auto-referencialidade, que pode trazer para junto de nós a tentação, cada vez mais presente nos dias atuais, de uma espiritualidade intimista, individualista e "desencarnada".

Na travessia quaresmal, o Espírito Santo nos conduz a repensar a nossa vida cristã enquanto “Povo de Deus", que caminha ao longo da história humana.

Agora no final desta travessia, podemos vislumbrar no horizonte, a aurora do amanhecer de um novo tempo, o tempo pascal. Se o deserto exigiu de nós persistência, força e desprendimento, o amanhecer pascal nos pede coragem, fé e alegria para caminharmos à luz do “Ressuscitado”.

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Trata-se de um convite irrecusável, onde, através da riqueza da Liturgia deste período, podemos, de maneira sublime, experimentar a presença viva do “Cordeiro”.

Fé, coragem e alegria são ótimas pedidas para vivermos intensamente este tempo litúrgico pascal.

A fé no Ressuscitado nos impulsiona, nos move ao encontro permanente com Ele, com a gente mesmo e com o próximo. Uma fé comunitária, de inspiração trinitária.

A coragem nos interpela a todo instante a sairmos da região de conforto, a nos “desinstalarmos”, a não temermos os desafios do novo e do tempo presente, a não procurarmos, talvez, no passado distante soluções que já não darão mais conta da nossa realidade.

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E de maneira muito especial a alegria. O saudoso Papa Francisco falava da importância da alegria para o cristão no anúncio do Evangelho do Reino. Como temos cristãos hoje que vivem com a cara de uma “eterna Sexta-Feira da Paixão!” Dizia-nos ele. Porquanto, não há alegria maior para nós, que anunciar que “Ele vive", "Ele ressuscitou” e “Ele está no meio de nós!". Este é o “Querigma", o resumo do anúncio corajoso e alegre daquilo que acreditamos, a nossa Fé.

 A “Sacrossanctum Concilium”, importante documento do Concílio Vaticano II que tratou mais especificamente do tema da Liturgia, em seu número 10, nos fala do lugar central da Liturgia na vida da Igreja, sendo ela, considerada, simultaneamente “a fonte e a meta" para a qual se encaminha toda nossa ação eclesial.

Esse tempo solene pascal nos propicia um momento único de vivermos essa centralidade litúrgica. Ao participarmos ativamente dos ritos solenes deste tempo, sairemos fortalecidos para o discipulado e a missão.

Descrevendo a Liturgia como "fonte e meta", a constituição conciliar nos permite pensar, nas entrelinhas, que dá “fonte" até a “meta" existe um “lócus teológico" e existencial, momento privilegiado da vivência de um verdadeiro itinerário que precisa ser percorrido por cada cristão.

Caminhemos então, na companhia do Ressuscitado. Como outrora em Emaús, nós também somos convidados a deixar que a sua palavra “arda em nossos corações" quando abrirmos as Sagradas Escrituras (Liturgia da Palavra) e O reconhecermos à mesa, ao partir o Pão da Eucaristia.

Feliz Páscoa, feliz caminho com o Cristo Ressuscitado!