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Revista Digital N. 3 julho 2025

Liturgia e missão

Bem-vindo, Tempo Comum! Teu apelo é missão!

  • P. Thiago Rodrigues s.x.
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Ao coroarmos o Tempo Pascal, com a celebração de Pentecostes (o derramamento do Espírito que faz nascer a Igreja missionária), entramos na segunda parte do Tempo Comum. Muitas vezes, esse Tempo foi apresentado, mesmo do ponto de vista pastoral, como um tempo menos importante e significativo, às vezes preenchido com diversas outras atividades ou conteúdo de natureza devocional. O itinerário dominical, em alguns planos pastorais, parece esvaziado de seu conteúdo mistagógico, privilegiando, na verdade, dias específicos ou meses temáticos. Não que estes últimos não sejam relevantes e extremamente necessários, mas, por vezes, o ciclo litúrgico Comum vai celebrado com uma velada desafeição.

O mesmo adjetivo "Comum", que na linguagem do dia-a-dia poderia ser enganoso, especialmente se combinado com tempos fortes e extraordinários, deriva, na verdade, do latim "Ordo" e evoca uma estrutura essencial e fundamental. Pela história, resulta, que a semana ordinária nasceu antes da solene festa anual da Páscoa. É precisamente na vida cotidiana que se mede a vida do discípulo, para além dos entusiasmos fáceis que, alimentados pela natureza extraordinária das grandes festas, poderiam imediatamente se esgotar como fogo de palha. É na ordinariedade da vida que se mede a paixão missionária de cada batizado, das nossas comunidades e da Igreja como um todo.

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Não é por acaso que, na Oração Coleta da primeira semana do Tempo Comum, suplicamos ao Pai de bondade de inspirar pensamentos e intenções para que o povo reunido em oração veja o que deve fazer, concretizando o que se contemplou ao celebrar as grandes solenidades. O vazio que às vezes as grandes festas deixam, especialmente em referência ao tempo Pascal, é preenchido pela força e, portanto, pelo compromisso com a implementação do mesmo Mistério, sem qualquer tipo de descontinuidade.

De um ponto de vista missionário, podemos afirmar que, o Tempo Comum representa a peregrinação do cristão em direção ao destino final. Isso nos ajuda a assimilar e meditar sobre os mistérios da vida de Jesus por meio da leitura progressiva e quase contínua de sua Palavra, realizada todos os domingos. No fluxo da vida cotidiana, o cristão é convidado a verificar sua existência e o seu modo de colocar diante do mundo à luz Palavra de Deus, portanto, a partir vida e dos ensinamentos de Cristo, Mestre e Senhor. Assim, os temas da paz, da liberdade, da justiça, da solidariedade, como componentes do testemunho e da missão cristã, inspirados e sustentados pelo Espírito e conferidos pelo Ressuscitado a todos os discípulos missionários, vão tomando raízes dentro de nós e em nosso meio.

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No início da II parte do Tempo Comum, poderíamos nos interrogar, para, assim, melhor celebrar: Como podemos redescobrir a centralidade do Dia do Senhor na vida do discípulo e da Comunidade, como festa primordial, dia de festa e de alegria? Como podemos nos preparar em família para acolher o Dia do Senhor com uma liturgia "doméstica", capaz de expressar com gestos cotidianos o que se extrai da Celebração Eucarística? A terceira edição Brasileira do Missal Romano constitui um precioso tesouro no qual se conserva a fé da Igreja na Eucaristia. Como podemos ajudar a Comunidade a fazer uma leitura orante dos textos da liturgia dominical?