Fazer do mundo uma só familia
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Xaverianos
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O termo perdoar deriva do verbo latino dom e também pode ser entendido como concessão. O perdão torna-se, assim, um ato único que nos permite enfrentar com indulgência e compreensão as ações injustas, movidas por ódio, raiva, violência, realizadas contra nós, renunciando ao desejo de vingança ou a qualquer ato de vingança. Dessa forma, o perdão nos liberta e nos permite viver sem guardar rancores ou ressentimentos contra aqueles que realizam ações contra nós. Para muitos autores e pensadores, o perdão é uma das qualidades mais nobres do ser humano, uma mistura muito fina de força, segurança, generosidade, grandeza de alma e confiança em si mesmo e nos outros.
O tema do perdão é frequentemente relacionado à religião e à fé, sendo a base de muitos princípios religiosos. No entanto, o perdão é muito mais do que um mero preceito moral sujeito a obrigações religiosas. "Nossa cultura está imbuída de individualismo que olha com suspeita para o perdão" (Giusti & Corte, 2009). Os valores intrínsecos que o perdão representa claramente se chocam com os valores que as culturas, especialmente as ocidentais, propõem; por exemplo, a busca por poder e afirmação é a antítese de valores como altruísmo, compaixão e amor que o perdão implica.
Somente nos últimos anos a ciência começou a abordar a questão do perdão de forma sistemática, experimentando um excelente potencial terapêutico (Barcaccia & Mancini, 2013). Esses autores citam o pensamento de Hannah Arendt, que considerou Jesus de Nazaré como o primeiro que demonstrou o papel do perdão no domínio dos assuntos humanos. Para Arendt, o perdão é, portanto, uma condição para a liberdade humana.
A investigação científica tem procurado sobretudo, entender quais os benefícios que o perdão pode trazer tanto no âmbito pessoal como no social. Está provado que, para uma vítima, o perdão está relacionado a um maior bem-estar físico e psicológico, independentemente da gravidade das ofensas sofridas. A pesquisa confirma que o perdão é uma poderosa ferramenta psicoterapêutica que pode restaurar a saúde física e mental de pessoas presas pelo ódio e ressentimento (McCullough, 2000). Portanto, hoje está claro que os muitos benefícios associados à capacidade de perdoar são uma fonte de bem-estar psicofísico para o indivíduo ou "uma resposta eficaz ao estresse relacional que ele muitas vezes tem que enfrentar" (Giusti & Corte, 2009). No entanto, deve ficar claro que o perdão não pode ser considerado como uma panacéia que resolve todos os tipos de situações complicadas da vida, mas como uma perspectiva de resposta para as vítimas em certas e determinadas circunstâncias (Barcaccia & Mancini, 2013).
O perdão pode ajudar a processar traumas passados e corrigir padrões relacionais disfuncionais, atuando como um lugar para a redefinição da identidade individual e social. O perdão também atua no futuro, permitindo experiências, narrativas e novos entendimentos (Giusti & Corte, 2009).
Nós fazemos parte de inúmeras comunidades (família, escola, trabalho, Igreja) multiculturais e, durante a nossa jornada, às vezes, não conseguimos responder às dificuldades associadas à convivência com um grupo de pessoas de diferentes origens que se encontram residindo juntas.
As dificuldades da vida comunitária são inúmeras, especialmente quando acontecem conflitos, incompreensões, preconceitos, entre outras ocorrências negativas, tanto entre indivíduos como entre grupos; e, muitas vezes, algumas situações ferem profundamente as pessoas, criando situações de desconforto e complicando a própria vida comunitária.
Nesse contexto, é essencial desenvolver a capacidade de saber perdoar ou pedir perdão, a fim de restaurar a paz e continuar uma convivência pacífica. Considerando também os muitos benefícios psicofísicos apurados pela pesquisa científca, relacionados ao perdão, torna-se ainda mais interessante aprofundar o estudo dessa questão, com o objetivo de alcançar possíveis avanços na teoria e na prática do perdão.





















