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Fazer do mundo uma só familia

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Xaverianos

Xaverianos

Revista Digital N. 9 outubro 2026

Testemunho missionário

Mundo como Lar

  • Pe. Lucas Marandi s.x.
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Sou o padre Lucas Marandi, missionário xaveriano, natural de Dinajpur, no norte de Bangladesh, na fronteira com a Índia, continente asiático. Sou o terceiro filho do casal Mondol Marandi e Elina Hembrom; tenho um irmão e quatro irmãs. Todos são casados e residem em Bangladesh.

O desejo de servir ao povo como padre sempre esteve presente desde a minha infância, levando-me a ingressar primeiramente no Seminário Diocesano, em 1994. Ali fiz parte, por três anos, de um grupo de seminaristas formado por 15 jovens. A rotina formativa se alternava entre os estudos normais no colégio e os estudos no próprio seminário. Passado esse período e chegadas as férias, retornei para visitar meus pais e decidi não continuar a formação diocesana. Iniciei, no ano seguinte, a faculdade de Ciências Sociais, curso em que estudei por três anos, até 1997.

No ano de conclusão da faculdade, os Missionários Xaverianos promoveram o estágio vocacional “Vinde e vede”, com duração de uma semana. Naquela ocasião, um dos padres me convidou a participar do encontro. Ter aceitado o convite mudou meus planos e acendeu novamente dentro de mim a chama vocacional de querer ser sacerdote. O encontro, além das reflexões e da vivência com outros jovens, proporcionou-me visitar as missões xaverianas, especificamente o trabalho com pessoas portadoras de necessidades especiais pertencentes a diversos grupos religiosos existentes naquela realidade.

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O contato com tais pessoas, sobretudo o trabalho desenvolvido pelos missionários, veio acompanhado do pensamento de São Guido Maria Conforti: “Fazer do mundo uma só família”. Esta proposta ressoou no meu coração e se tornou um forte convite, levando-me a querer participar diretamente deste sonho. Escolhi, assim, ser também Missionário Xaveriano e comecei a formação na Congregação.

Acostumar-me à nova modalidade de vida foi um dos primeiros desafios a serem superados após a saída de casa. No entanto, o tempo e a perseverança foram meus aliados constantes. Realizei os estudos de filosofia em Daca, capital de Bangladesh, e os estudos de teologia nas Filipinas. Mudando de país, tive de aprender novos idiomas e acolher a novidade de cada cultura como dimensão da própria escolha de vida que decidi abraçar.

Essa abertura já iniciava na vida da própria comunidade formativa à qual vim integrar, que era bem diversificada: ali havia 8 nacionalidades diferentes. Os aspectos culturais, apesar de distintos, fui assumindo-os como meus, adotando também esta nova terra e os novos irmãos como lar.

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Em 9 de setembro de 2011, fui ordenado sacerdote e recebi como minha primeira destinação missionária o Brasil. Após dois meses, viajei para as terras brasileiras, chegando em 20 de novembro de 2011. A chegada novamente implicou aprender o português e a cultura, iniciando outro ciclo de adaptação com o novo lar: o Brasil.

Vir para cá não estava nos meus planos, pois pretendia exercer a missão em algum lugar do próprio continente asiático. Entretanto, a consagração religiosa missionária traz a dimensão dos votos — entre eles o voto de obediência —, vivida sob a decisão dos superiores. Frente a isso, acolher a nova casa é acreditar na providência divina, protagonista principal da missão.

A comunicação nos primeiros dias de chegada ao Brasil era por meio de gestos, pois o português era totalmente desconhecido. Esta situação colocava-me em conflito, questionando-me acerca da própria vinda para o país e temeroso se conseguiria aprender o novo idioma. Ir para a escola foi necessário. Começar do zero, como uma criança que aprende as primeiras lições, foi fundamental, apesar das dificuldades.

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Após meses de estudo, a comunicação foi ganhando espaço e possibilitou construir relações com mais afinco. Desenvolvi assim minha atividade missionária na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Piracicaba (São Paulo), de 2012 até 2014. Atualmente, sou pároco da Paróquia São Guido Maria Conforti, na cidade de Hortolândia (São Paulo). Ali caminho com o povo, ajudando na evangelização, de modo especial com a juventude, a quem considero o grande presente de Deus.

O vocacionado missionário é aquele que deixou sua família de origem, amigos, campos e terras por causa de algo maior: o projeto de Jesus Cristo. Por este tesouro encontrado, decidi partir para destinos imprevisíveis, fazendo desses lugares o meu próprio lar.

Assim, o mundo torna-se pequeno, porque se transforma na grande casa, na grande família humana que sempre abre as portas para acolher o irmão que chega.

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