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Fazer do mundo uma só familia

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Xaverianos

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Revista Digital N. 5 dezembro 2025

Testemunho missionário

A melhor riqueza que pode ser compartilhada.

  • Pe. João Evandro, s.x.
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Olá, sou João Evandro Pereira Cordeiro, missionário xaveriano, entrei na família xaveriana em 2001, depois do ensino médio. Nas linhas que seguem partilho minha experiência missionária ad extra, especificamente em Moçambique e de maneira especial com o povo macena.

Cheguei em Moçambique no dia 21 de maio de 2017. Penso que o primeiro desafio do missionário atualmente é o visto para entrar no país. Mas consegui!

Quando soube que iria para Moçambique, me lembrei das palavras que me disse uma pessoa, “vai passar fome lá”, pois como a maioria das pessoas, eu pensava que na África ia passar fome. Mas quando vi algumas fotos de meus irmãos que trabalhavam lá, vi que um deles era gordinho, pensei que não passaria fome, e assim aconteceu.

Vendo minha situação econômica, me veio à mente as palavras que São Pedro disse ao paralítico no livro dos Atos dos Apóstolos: “não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou”. Sabendo que não tinha muito dinheiro, fui a Moçambique com a convicção que a melhor riqueza que podia partilhar com aquele povo era levar o Evangelho de Jesus Cristo e mostrar o amor a Deus e aos irmãos. Vivi com eles 6 anos.

Penso que, estando lá, meu maior desafio foi a aprendizagem da língua. Mesmo que a língua oficial do país seja o português, não é o mesmo português que falamos no Brasil, portanto também tive que me adaptar ao jeito que eles falam. Também tive que estudar a língua local, chamada cisena, por um período de 7 meses.

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Depois de três meses de ter chegado a Moçambique, entrei em contato direto com as comunidades rurais da nossa paróquia que fica a 500 quilômetros da cidade. Foi uma experiência curiosa, pois com tão pouco tempo de ter chegado tive que ajudar um Irmão que estava sozinho na missão de Santa Teresinha do Menino Jesus em Chemba. O padre devia atender oitenta comunidades espalhadas em um grande território. Lá poucas pessoas falam o português porque a língua local é o cisena, assim eu tive que me virar para rezar a missa e celebrar os sacramentos. E o mais curioso é que nem tinha estudado bem o missal. Mas me acompanhava um catequista que traduzia minhas falas. Passei um mês com aquele povo animado e feliz de ser cristão católico.

Depois dessa experiência voltei à cidade de Dondo para continuar o estudo da língua. Em dezembro recebi a notícia que ia ser destinado à Missão São Pedro Claver de Charre-Mutarara-Tete. Nessa missão fui o responsável do Internato masculino que tem capacidade para 72 jovens. Os jovens que vivem no internato vêm de vários povoados ao redor porque lá onde eles moram o ensino escolar só chega até o sétimo ano. Eles ficam no internato por cinco anos para terminar o ensino médio.

O nosso Internato teve seu reinício no ano de 2007, um ano depois que os xaverianos assumiram a Missão de Charre. A intenção de abrir um internato foi para ajudar aqueles jovens que viviam longe da escola.

O internato tem como objetivo a formação humana e cristã católica, portanto o internato não só é um lugar para viver e estudar, mas sobretudo um lugar de formação integral, onde cada jovem cultive os valores cívicos, humanos e religiosos que lhe ajudem no seu desenvolvimento integral como pessoa humana.

Para atingir esse objetivo se trabalha em três áreas diferentes: formação acadêmica, formação religiosa-espiritual e formação humana.

A principal motivação pela qual chega um jovem ao internato é a de estudar. Por isso se criaram lugares e horários de estudo obrigatórios para que os jovens pudessem cumprir com este compromisso. Nós os motivávamos para que compreendessem que o estudo deveria ser seu principal trabalho e preocupação. Para ajudar-lhes a cumprir com este objetivo, depois de cada período escolar, fazia-se uma avaliação para incentivar os aspectos bons que viveu cada jovem ou corrigir falhas que podia ter.

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Enquanto à formação religiosa, agendava-se tempos para a catequese. Todos os que estudavam da oitava à décima deviam participar das aulas de catequese mesmo se não fossem batizados, sempre respeitando o credo religioso de cada jovem. Tentava-se motivar os jovens para que a oração ocupasse o primeiro lugar na sua vida, para que compreendessem que se Deus não é o centro da vida, não se pode chegar longe. Por isso a missa e o rezo do terço deviam ter uma participação especial de todos.

Para ajudar na sua formação humana, eles eram motivados a cumprir os horários, os programas e os objetivos como um meio para buscar a própria superação pessoal. Para criar um bom ambiente e sobretudo para ajudar-lhes a viver, no futuro, com pessoas diferentes, insistia-se, como máxima exigência, no respeito pela pessoa do outro, por seus valores e por suas coisas. E a primeira forma de mostrar respeito pelo outro era a higiene pessoal, junto com manter limpo cada ambiente, como mostra de quem quer viver um comportamento leal e digno das pessoas, para criar um ambiente familiar.

Além do serviço que prestava no Internato de segunda a sexta de maneira integral, nos fins de semana ajudava a visitar as 38 comunidades rurais que pertenciam à missão de Charre. Essa é minha pequena experiência em Moçambique.