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Fazer do mundo uma só familia

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Xaverianos

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Revista Digital N. 4 agosto 2025

Testemunho missionário

A beleza da vocação missionária

  • Pe. Ivanildo de Sousa Quaresma s.x.
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Minha família ajudou-me a vivenciar a fé católica desde que eu era criança, por meio da oração e do testemunho de vida, sendo sempre uma fonte de amor, inspiração e aprendizado. Aprendi, com meus pais, a ouvir o Evangelho, a orar e a agradecer ao Senhor pelo dom da vida. Eles também me ensinaram o valor do respeito, da amizade e da ajuda mútua. Minha família foi um lugar de encontro com Cristo, através dos exemplos de meus pais: de respeito, de bondade, de gratuidade e de amor. Despertaram em mim, desde pequeno, o desejo do serviço, da confiança, da fraternidade. 

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Nascido em Abaetetuba, no estado do Pará, Brasil, sou o quarto, de cinco irmãos. Lembro-me, como se fosse ontem, quando minha mãe me disse que Jesus é o maior presente que uma pessoa pode receber em sua vida. Cresci consciente de que a vida não é minha, que não posso fazer tudo o que quero; ela me foi dada por Deus, portanto, deve ser cuidada e colocada a serviço dos outros. O testemunho de vida e amor entre meus pais despertou em mim o desejo de compartilhar com os outros os dons que o Senhor me concedeu.

A experiência de ser amado

Outro ponto importante e significativo para minha vocação foi a Comunidade de São Domingo de Gusmão, onde continuei a viver o caminho da fé e experimentei ser amado por Deus. Lá, fui batizado e alegremente preparado para receber a Primeira Comunhão; depois, continuei a amadurecer a minha vida de fé, ao lado das pessoas que faziam parte daquela Igreja.

Após receber os sacramentos da iniciação cristã, comecei a participar em vários projetos paroquiais, como animador de adolescentes, jovens e catequistas. Sentia-me feliz e muito realizado como cristão. Aos poucos, fui descobrindo que a fé se fortalece com o compromisso, a confiança e a entrega.

Sempre respirei um clima missionário na minha paróquia. Os missionários xaverianos fizeram um excelente trabalho de evangelização na minha diocese. O estilo de vida deles, de humildade, de vida comunitária, de fraternidade, me atraía muito. O entusiasmo e alegria com que transmitiam o Cristo a nós, jovens, era maravilhoso e único. Víamos neles missionários credíveis, que pregavam a Palavra e a praticavam. Eles nos apresentavam a realidade, os muitos desafios, as tristezas e alegrias da missão e dos missionários. E isso nos encantava. Descobri uma realidade da Igreja que, para nós, era desconhecida, e essa novidade foi aquecendo meu coração.

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Saber que ainda havia muitas pessoas que não conheciam Jesus, por falta de missionários, era um absurdo, eu achava isso inaceitável. Essa realidade teve, em mim, um impacto profundo e fez surgir, em meu coração e mente, o desejo de ser missionário, com o objetivo de proclamar Jesus e seu Evangelho àqueles que ainda não o conhecem. Não só com as palavras, mas com a vida. Assim como faziam os missionários xaverianos na minha Diocese.

Considero-me um privilegiado por ter conhecido os missionários xaverianos

Cresci no meio dos missionários xaverianos, e ressalto que seu testemunho e a maneira como rezavam, a serenidade com que se relacionavam com as pessoas, a convivência, o carinho para com os outros, a atenção e o cuidado com a formação dos leigos, o entusiasmo e a alegria que os caracterizavam, tudo isso despertou, em mim, a vontade seguir Cristo, tal como eles.

O Padre Sávio Corinaldesi - uma pessoa iluminada e muito inteligente - costumava nos contar das alegrias que vivia como missionário, mas também das dificuldades que encontrava no Brasil. Quando nos partilhava que a Coca-Cola, a pizza, os clubes de futebol como o Real Madrid e o Barcelona eram mais conhecidos do que Jesus, eu ficava perplexo. Então, era levado a refletir muito sobre o nosso ser cristão no Brasil.

Comecei a sentir uma grande inquietude no coração e, ao mesmo tempo, uma gratidão pelos missionários, esses valentes homens, que renunciaram a muitas coisas na vida – família, pátria, sonhos pessoais - para nos anunciar a melhor notícia de todas: Jesus ressuscitado!  Eles que, por meio de suas palavras e testemunhos, permitiram-me conhecer melhor Jesus. E, aos poucos, passei a me perguntar: será que Deus me chama também para ser um missionário?  

Quando nos anunciavam o Evangelho e diziam que deveríamos partilhar a experiência da fé, testemunhá-la, anunciar a Boa Nova, porque é o mandato que o Senhor confia a cada um de nós e a toda a Igreja, tudo isso fazia arder meu coração ainda mais, e pensar no que disse São Paulo: "Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho" (1 Cor 9,16). Eu tinha consciência de que meu continente, meu país, meu povo, haviam recebido o anúncio do Evangelho e muitos frutos tinham sido produzidos, e que agora era minha vez de anunciá-lo aos outros. Agora é a minha vez de compartilhá-lo.

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A beleza na oração

Também destaco um elemento chave na minha vida pessoal que me ajudou muito a entender melhor o chamado de Deus em minha vida: a oração. Ela foi e continua sendo uma fonte de inspiração, encorajamento e a maior força na minha vocação.

Acredito plenamente que Deus esteve comigo desde o momento em que nasci; Ele pensou em mim e amou-me profundamente. Ao longo da minha vida, senti e continuo sentindo Sua presença constante ao meu lado. A oração é a primeira atividade de um missionário, e vivo meu modo de orar constantemente, mesmo que às vezes seja difícil. Entretanto, procuro ser fiel ao meu projeto pessoal de vida, no qual a oração é um elemento fundamental. Assim, a Eucaristia é o ápice da minha vida de oração, é o meu fundamento diário. Todos os dias encontro o Senhor através da Comunhão.

 Formação acadêmica

Minha formação acadêmica deu-se em parte no Brasil e em parte na Itália. Os estudos filosóficos, os fiz em Ananindeua, Pará, Brasil, no Instituto Regional de Formação Sacerdotal (IRFP), onde estudei por quatro anos.

Em seguida, fui para Hortolândia-SP, onde estive por um ano, no noviciado, uma etapa fundamental para os religiosos. Foi um período propício para compreender melhor o carisma e a espiritualidade do nosso fundador, São Guido Maria Conforti.

Concluí meus estudos teológicos em Parma, Itália, no Instituto Teológico Interdiocesano, onde permaneci até ser ordenado diácono, em 08 de dezembro de 2015.  A seguir, fui ordenado sacerdote, em 27 de agosto de 2016, na minha Diocese de Abaetetuba.

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 Meu tesouro é Cristo

Para concluir, gostaria de compartilhar com vocês, especialmente com os jovens, toda minha alegria em seguir Jesus Cristo, com estas palavras do Evangelho de Mateus 13,44: Assim como um homem que encontrou um tesouro escondido num campo e, com alegria, vendeu todos os seus bens e comprou aquele campo, assim como o cidadão vendeu tudo o que tinha para comprar o tesouro, porque o achou valioso, assim aconteceu comigo.

Para mim, esse tesouro é Cristo. Ter encontrado, conhecido, experimentado seu amor e segui-lo foi a melhor experiência da minha vida. Abriu-me a uma vida intensa, apaixonada e plena de alegria. A Ele e a sua missão quero dedicar toda a minha vida, porque é Ele o meu tesouro.

 Jovem, essa vida intensa, apaixonada e plena de alegria também pode ser sua! Não tenha medo de ser esperança para a sociedade, para a Igreja e para Deus! Esse é o grande dom dos jovens, ser esperança para todos e contribuir para fazer, do mundo inteiro, uma só família. Não deixe de perguntar a Deus: O que quereis de mim? Porque, assim como Ele me chamou, Ele também pode chamar você. E se você se sentir chamado, não tenha medo de dizer sim, não tenha medo de assumir responsabilidades, pois Deus é fiel e nunca nos decepciona.