Fazer do mundo uma só familia
Fazer do mundo uma só familia
Xaverianos
Xaverianos
Surpresa…acredito que essa foi a palavra que me acompanhou nos últimos anos. Especialmente o tempo que vivi nas Filipinas. Da quando entrei na família xaveriana o Senhor sempre me surpreendeu. Atrás de cada surpresa estavam coisas que gostei mais e outras menos. Quando recebi a destinação para as Filipinas, foi uma grande surpresa. Nunca tinha pensado naquela missão. Mas após onze anos vividos naquele país, posso dizer que essa foi uma das melhores surpresas que o Senhor me faz na vida.
Me lembro das palavras de um formador no primeiro dia que entrei na comunidade em Curitiba (2003), ele dizia: ‘primeiro: estamos aqui pela nossa fé, acreditamos neste projeto, o do Reino de Deus; segundo: prepare-se para sair do Brasil, pois somos para a missão ad extra’. Essas duas palavras sempre me acompanharam: Fé e ad extra. De alguma forma, coloquei-as no meu projeto de vida até agora. Com a fé e o coração ad gentes parti primeiro para a Itália para o estudo da teologia e depois para as Filipinas.
A missão que vivi nas Filipinas foi diretamente na casa de formação, onze anos ao todo na comunidade de teologia. Foi como uma formação permanente. De fato, aprendi muito com os irmãos em comunidade, formadores e estudantes. A atividade formativa como missão é uma responsabilidade muito grande. Por esse motivo, nunca me senti um missionário de segunda categoria. Formando novos missionários, foi uma oportunidade para reforçar a minha vocação para a missão. Os estudantes de muitos lugares do mundo foram sempre uma bênção para mim. Com eles, aprendi muito sobre a minha pessoa assim como sobre os xaverianos de todo o mundo. Olhando para trás, agradeço a Deus por todos os estudantes que por ali passaram e que agora estão espalhados pelo mundo nas diferentes missões.
Enquanto procurava preparar os missionários do Evangelho, eu fazia tudo o que podia para me familiarizar mais com a mesma Palavra. Entre os frutos da missão que carrego está aquele de ler a Palavra de Deus de modo sempre novo e sempre mais pessoal. O Senhor dirige aquela palavra para mim, pessoalmente. Alguns textos da Escritura tornaram-se cada vez mais significativos para mim com o passar do tempo. Estas palavras me acompanharam nos momentos de alegria e de dificuldades. Através dessas palavras, pude ler os muitos acontecimentos da minha vida. Palavras como: “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi”. (Jo 15,16)
Olhando para o presente e para o passado, tudo o que me aconteceu, estou cada vez mais convencido de que seria incapaz de fazer uma escolha assim grande como a vida missionaria. Acredito que alguém me escolheu primeiro, eu acolhi e muitas vezes resisti ao chamado. É impossível que eu possa escolher o Senhor, Ele é muito exigente. Resta-me aceitar que foi Ele que me escolheu, não porque eu seja bom ou perfeito, mas porque Ele é bom e quer fazer algo de bom por mim também.
Tive também a oportunidade de partilhar a minha fé com o povo filipino. A eles serei eternamente grato pela paciência e o amor com que me acolheram. Uma relação marcada de muitas surpresas. O modo de viver e celebrar a fé e a vida me proporcionaram também ocasiões únicas para viver a minha fé. As Filipinas é um país de maioria católica. Os grupos de partilha da Palavra de Deus, as procissões, as tantas devoções populares, “sincretismos”, etc. me fizeram entrar em uma dimensão da fé popular que foi muito útil para entrar naquela cultura como missionário.
Agradeço a Deus e à congregação que me deram a oportunidade de viver esses últimos anos naquela missão.






















