Fazer do mundo uma só familia
Fazer do mundo uma só familia
Xaverianos
Xaverianos
Um em Cristo e unidos na missão é o tema sobre o qual o Papa Leão XIV nos convida a refletir neste mês missionário. No seu discurso, convida-nos a refletir a partir de três aspectos:
- Um em Cristo. Discípulos-missionários unidos n’Ele e com os irmãos e irmãs.
- Unidos na missão. Para que o mundo creia em Cristo Senhor.
- Missão do amor. Anunciar, viver e partilhar o amor fiel de Deus.
Este convite conectou-me com as palavras que Jesus orou com os seus discípulos e discípulas: “...que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia...” (Jo 17,21).
No mandamento do amor, no envio em missão, Jesus exige o mandamento da unidade.
O que entendemos por unidade? Pensamos que unidade é ajuntamento: juntar todos numa só igreja, numa só religião. Pensamos que unidade é migrar de uma igreja para outra, de uma religião para outra. Pensamos que é aceitar sem espírito crítico o que vem das outras igrejas e religiões. Pensamos — e isto é o pior — que unidade é uniformidade.
Ao nos pedir no envio em missão o amor e a unidade, Jesus nos anuncia a Boa Notícia: ser inclusivos(as) é a única forma adequada de ser amoroso. Amor parcial não é amor, pois só se ama quando se aceita radical e integralmente a alteridade. Amar é conviver com a diferença, integrá-la como dimensão constitutiva do próprio eu. Conviver com outrem não apesar da diferença, mas a partir dela e através dela, desejando-a como elemento integrador da plenitude humana. A raiz do ser humano não é a solidão, o ensimesmamento, mas a relação com a diversidade, a alteridade aceita plenamente.
Ser inclusivos, inclusivas — hoje diríamos viver a sinodalidade — não é somente respeitar e acolher as ideias diferentes das nossas, das outras doutrinas ou credos. É infinitamente mais. É acolher a outra pessoa. É a acolhida aberta e serena da alteridade, sem sentimentos ou atitudes de medo e ameaça. Acolhimento que se dá a partir das relações mais elementares às mais complexas: homem-mulher, criança-adulto, branco-negro, empregado-empregador, leigo-clérigo, nacional-estrangeiro, protestante-católico, cristão-muçulmano, monoteísta-politeísta...
Na sua oração, Jesus nos indica o caminho a seguir para vivermos e testemunharmos a unidade na missão. Jesus pede unidade ao redor de três elementos:
O Nome: “manifestei teu nome... os guardava em teu nome... dei a conhecer o teu nome” (Jo 17,6.12.26). É ao redor do Nome que os discípulos e discípulas vivem e realizam a unidade. Nome revelado que é: EU SOU. Nome que é Pai santo. Nome que em Jesus é Pai nosso (Êx 3,14; Jo 17,11; Mt 6,9). Nome que principia uma relação nova entre a humanidade e Deus. Nome que transforma as relações entre as pessoas. Nome que nos dá a liberdade de resgatar e pronunciar outros nomes...
A Palavra: “...eles guardaram a tua palavra... as palavras que me destes eu as dei a eles, e eles as acolheram... Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou porque não são do mundo, como eu não sou do mundo... santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade...” A Palavra que arma sua tenda no nosso meio. Palavra que assume o nome Jesus, Filho único que está voltado para o seio do Pai. Palavra que é o Projeto de vida, a Vontade do Pai para ser escutada e vivida (Jo 17,6b.8.14.17; Jo 1,14.18).
A Glória: “Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique... glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse... eu lhes dei a glória que me deste...” A Glória em hebraico, Kabod, quer dizer peso, força. Aquele peso e força que Deus sempre colocou em favor dos pequenos, na defesa da vida. Então a Glória é dada ao Nome vivendo a sua Palavra, produzindo frutos, realizando os mesmos sinais de vida (Jo 17,1.4.5.10.22.24), para poder afirmar junto com Santo Ireneu: a glória de Deus é a pessoa humana em plenitude de vida!
Unidade ao redor do Nome, da Palavra, da Glória: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim” (Jo 17,23).





















