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Xaverianos

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Revista Digital N. 4 agosto 2025

Cultura missionaria

Fraternidade e missão

  • Pe. Estêvão Raschietti s.x.
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O mito do indivíduo emancipado e solitário assumiu proporções estratosféricas no Ocidente. Parece que "um verdadeiro cisma" está em andamento entre o indivíduo e a comunidade humana (FT 31). Papa Francisco fala de uma crise paradoxal de pertencimento, da qual não podemos escapar (FT 32).

A fraternidade é algo da qual "perdemos o gosto" (FT 33), mas também perdemos o gosto e o sabor da realidade, tomados como estamos pela ansiedade e pela impaciência para obter resultados e traçar metas virtuais.  Evidentemente, se tudo está interligado, "é difícil pensar que este desastre global da pandemia não esteja relacionado com a nossa forma de abordar a realidade, pretendendo ser senhores absolutos da nossa própria vida e de tudo o que existe" (FT 34).

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Para o Papa Francisco, a COVID, assim como as mudanças climáticas, não são um castigo divino: são simplesmente a realidade "que geme e se rebela", e que de alguma forma quer nos desafiar: "Queira Deus que no final não haja mais 'os outros', mas apenas um 'nós' (...) que demos um salto em direção a um novo modo de vida e descubramos de uma vez por todas que precisamos e estamos em dívida uns com os outros, para que a humanidade possa renascer com todos os rostos, todas as mãos e todas as vozes, além das fronteiras que criamos" (FT 35).

O apelo à pertença, à solidariedade e ao cuidado com a criação é decisivo, assim como a condenação de Francisco ao capitalismo como "um sistema estruturalmente perverso de relações comerciais e de propriedade" (LS 52). A impressão dada pelos pronunciamentos de seus antecessores foi que a globalização neoliberal poderia ser reformada, colocando alguns remendos aqui e ali. Mas Francisco não parece estar muito fascinado com o progresso industrial, científico e tecnológico, diante do qual, segundo ele, não há um "rumo verdadeiramente humano" (FT 29).

Consertar relacionamentos em um mundo altamente fragmentado, dividido e indiferente parece uma tarefa improvável. Haveria necessidade de uma verdadeira comunicação "de gestos físicos, expressões faciais, silêncios, linguagem corporal e até perfume, tremor das mãos, vermelhidão, suor", enquanto as relações digitais "dispensam o esforço de cultivar uma amizade", "não constroem realmente um 'nós'", não são suficientes para construir pontes e não são capazes de unir a humanidade (FT 43).

O exercício paciente da fraternidade, por outro lado, passa pela arte da escuta e do silêncio, "estrutura básica da comunicação humana sábia", que pressupõe o encontro com a "realidade real", contra "um novo estilo de vida no qual se constrói o que se quer ter diante de si, excluindo tudo o que não pode ser controlado ou conhecido superficial e instantaneamente" (FT 49).

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Nossa missão no mundo é chamada a se situar hoje mais no âmbito das relações do que das ações: as discípulas e os discípulos missionários precisam se acalmar, se sentar, correr menos, gastar mais tempo com as pessoas, confraternizar, cuidar da vida e das chagas dos crucificados. A despeito de toda tecnologia de informação e comunicação e de suas fascinantes evoluções, “a rede de comunicação da fé deve ser humana para que a mensagem chegue até os corações das pessoas”, dizia Paulo VI (1969).

Pois, há uma maneira muito simples para proporcionar às pessoas um encontro com Jesus vivo: é através da nossa pessoa, do nosso abraço, do nosso testemunho, da nossa escuta, do nosso silêncio e das nossas palavras. Depois com o caminhar eclesial, Jesus se revela mais profundamente na comunidade, na Palavra, nos sacramentos, na oração, na devoção e tudo mais, mas inicialmente Ele é anunciado pela proximidade, pela ternura e pelo encontro. Nisso não há nenhum proselitismo: isso é puro coração e pura paixão.