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Xaverianos

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Revista Digital N. 3 julho 2025

Cultura missionaria

O desafio da esperança audaz

  • Pe Estêvão Raschietti s.x.
  • 161 visualizações

O Concílio Vaticano II e o Papa João XXIII, com a Encíclica Pacem in terris, nos ensinaram a perscrutar e a interpretar os «sinais dos tempos» (Mt 16,3), através dos quais Deus revela o seu desígnio providencial para a humanidade. Estes sinais, porém, são sempre ambivalentes: não mostram claramente para onde vamos, mas nos estimulam a compreender os desafios profundos da história: “os sinais dos tempos, que contém o anélito do coração humano, carecido da presença salvífica de Deus, pedem para ser transformados em sinais de esperança” (Spes non confundit, 7).

Papa Francisco dedica o primeiro capítulo da Encíclica Fratelli tutti a esse olhar e aponta imediatamente "sinais de um retorno ao passado": "ressuscitam nacionalismos fechados, exasperados, ressentidos e agressivos", "nascem novas formas de egoísmo e de perda de sentido social" (FT 11), "privilegiam-se os interesses individuais e enfraquece-se a dimensão comunitária da existência" (FT 12).

tressolidao

"Nesse choque de interesses que nos coloca todos contra todos, onde vencer passa a ser sinônimo de destruir" (FT 16), algo terrível acontece: na medida em que o outro não se torna um meio para alcançar meus objetivos, defender meus privilégios e corresponder à minha visão de mundo, ele necessariamente se torna uma ameaça a ser eliminada (FT 20). Da defesa exaustiva do próprio interesse, ao medo e à agressão ao outro, o passo é muito curto: erguem-se muros, ostentam-se ideologias, armam-se falanges, a ponto de transformar até mesmo nossas igrejas em verdadeiros nichos de fundamentalismos fanáticos.

O Ocidente gerou um "vírus" paradoxal: o indivíduo independente e encurvado sobre si mesmo. Este é o “ideal” para o qual todos nós tendemos, o objetivo pelo qual sacrificamos tudo: lutamos a cada dia para nos tornar indivíduos emancipados que não precisam de ninguém. Do ponto de vista de outras culturas, uma pessoa que se separa do resto da comunidade é simplesmente insana.

No entanto, está surgindo uma consciência crescente de que o individualismo narcisista pós-moderno está se tornando psicologicamente, socialmente, politicamente, economicamente, espiritualmente e ecologicamente destrutivo para a humanidade. O problema é que sabemos exatamente o que devemos fazer para mudar de direção, mas não conseguimos fazê-lo, nosso ego nos paralisa: continuamos a consumir compulsoriamente, a destruir a natureza, a procurar satisfazer nossos impulsos pessoais e a acomodarmos na inercia, no fechamento e no descompromisso.

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O convite de Francisco à esperança audaz (FT 55) é um apelo à graça transformadora que "sabe olhar para além do conforto pessoal, das pequenas seguranças e compensações que estreitam o horizonte", despertando em nós aquela fé tenaz, silenciosa e subversiva que se confronta com a realidade (FT 47), senta-se pacientemente para ouvir o outro (FT 48), acredita na proximidade, no diálogo e no encontro (FT 30) e sobretudo compreende, de uma forma extremamente pragmática, que hoje ninguém se salva sozinho (FT 54).