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Xaverianos

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Revista Digital N. 4 agosto 2025

Bíblia

O chamado de Deus na vida de Abraão

  • Pe. Everson L. Kloster s.x.
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Ao abrirmos a nossa bíblia encontramos como primeiro livro o assim chamado Gênesis ou o livro das origens. Mais que um significado histórico, possui um significado teológico e dois grupos se destacam: de um lado, o que poderíamos chamar de "Mistérios do Princípio" (Criação / Queda / Esperança de Salvação); e, de outro, tudo relacionado aos "Patriarcas" (Eleição de Israel, Chamado, Promessa, Aliança e obediência, relacionamento amigável e de confiança com Deus...). É dentro desse segundo grupo que encontramos um personagem que terá grande importância para as três religiões monoteístas: Abraão.

Ele é o ancestral do povo eleito e ocupa um lugar privilegiado na história da salvação. Seu chamado não apenas constitui a fase inicial do plano de Deus, mas também já estabelece sua orientação fundamental. Deus o chamou para constituir um novo povo em vista da redenção de toda humanidade (Gn 15,5). Em vez de uma mera crônica da vida de Abraão, o livro do Gênesis apresenta uma narrativa religiosa na qual enfatiza as bênçãos e promessas divinas; a fé inabalável do patriarca; a aliança e a circuncisão. A figura de Abraão assim iluminada aparece como a de um homem que Deus atraiu a si e depois testou, com o objetivo de torná-lo o pai admirado de um povo inumerável.

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Toda sua vida se desenvolve sob o signo da livre iniciativa de Deus. Deus é o primeiro a intervir; Ele escolhe Abraão entre os descendentes de Sem “tira-o" de Ur (Gn 11, 10-31) e o conduz por seus próprios caminhos para uma terra desconhecida (Hb 11,8). Aqui claramente encontramos com sua vocação. Deus chama Abraão, junto de seu chamado está a missão que lhe confiará: ser pai de uma grande descendência.

Esse chamado é um chamado de amor: desde o início, Deus demonstra a Abraão uma generosidade incomensurável. Embora Abraão seja livre, a ele só restam duas opções:  aceitar o chamado com todas as suas consequências ou renunciar e não escutar o convite divino. O Senhor pede mais: Abraão deve romper laços importantes. É necessário que abandone sua região e o lugar onde habita (o país); deve romper com os seus laços mais próximos (parentes); deve deixar a casa paterna. Tendo como horizonte a terra nova que Deus lhe promete.

Abraão não apresenta resistências a Deus, nem indica as suas debilidades ou dificuldades para a missão para a qual é chamado, como Moisés (Ex 3,11; 4, 1.10 etc.); também não demonstra dúvidas com relação à missão que lhe é apresentada, nem busca negociar condições, como fará mais tarde (Gn 18,22-33). Ele responde com total confiança por meio do seu gesto de partir. Deixou algo que lhe era seguro, para abraçar o plano de Deus.

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As promessas de Deus delineiam um futuro maravilhoso. A expressão constantemente repetida é: "Eu darei"; Deus dará a Abraão uma terra (Gn 12,7); Ele o saciará, o tornará extremamente fecundo (Gn 12,2). Na verdade, as circunstâncias parecem contrárias a essas perspectivas: Abraão é nômade, Sara não tem mais idade para ter filhos, além de tudo padece de infertilidade. Isso destaca ainda mais a gratuidade das promessas de Deus: o futuro de Abraão depende inteiramente do poder e da bondade de Deus. Assim, Abraão personifica o povo de Deus, escolhido sem mérito prévio. Tudo o que é necessário é uma fé atenta e destemida, uma aceitação irrestrita do plano de Deus. Nossa parte é fazer o que Abraão aprendeu a fazer: confiar nas promessas de Deus, mesmo quando elas parecem distantes ou impossíveis. Devemos confiar no plano de Deus, pois Deus permanece fiel a suas promessas.