Missa da Consciência Negra

No dia 20 de novembro de 2025, a Comunidade Santa Edwiges, pertencente à Paróquia São Guido Maria Conforti, em Hortolândia, Arquidiocese de Campinas, celebrou a VI Missa da Consciência Negra. A celebração foi presidida pelo Padre Jean Dieudonné e concelebrada pelo Padre Sante Gatto, que retornou recentemente da Itália. A celebração contou com grande participação dos fiéis e foi antecedida por uma procissão em honra de Nossa Senhora Aparecida, momento marcante que expressou fé, devoção e memória.
Durante a homilia, o Padre Jean refletiu sobre a dignidade humana e o compromisso cristão de viver a comunhão, a participação e a missão, sinais concretos da sinodalidade. A partir do Evangelho proclamado, destacou: “O Evangelho nos mostra Jesus que, ao ver a cidade, chorou. Ele chora porque Jerusalém não reconheceu o tempo da visita de Deus. Este choro de Jesus é também juízo escatológico: Deus vê, Deus sente e Deus pede conversão.”
Comentando a Primeira Leitura, ressaltou a resistência e a fidelidade de Matatias frente às imposições de um sistema que buscava apagar sua fé e sua cultura: “Na Primeira Leitura, Matatias resiste às pressões de um sistema que queria apagar sua fé e sua cultura. Ele afirma com coragem: ‘Ainda que todos obedeçam ao rei, eu e meus filhos caminharemos na Lei dos nossos pais.”
A memória e a luta do povo negro também foram lembradas por meio das palavras de Dom José Valdeci Santos Mendes, Bispo de Brejo (MA) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora: “A escravidão passou e ficaram as suas marcas. No período pós-abolição, o Estado brasileiro não se esmerou em nenhuma reparação. Denunciar esse pecado histórico não é vitimar, mas assumir a consciência da dívida que a nação tem para com o povo negro.”
A celebração incluiu ainda uma prece especial pela intercessão de Nossa Senhora da África, Mãe que acompanha a história, a resistência e a esperança de tantos povos marcados pela fé.
Ao final, a assembleia rezou com confiança: “Pelas intercessões de Santa Edwiges e de Nossa Senhora Aparecida, que sejamos uma Igreja que consola como Jesus, resiste como os Macabeus, promove a justiça como o Evangelho exige, e luta pela paz, pela dignidade e pela vida de todos os povos — no Brasil, na África e no mundo inteiro.”









