Fazer do mundo uma só familia
Fazer do mundo uma só familia
Xaverianos
Xaverianos
Caros irmãos e irmãs, cabe inicialmente uma saudação: “A paz esteja convosco! ” Pois é justamente essa alegria do Ressuscitado que nos anima na missão.
Quero compartilhar neste artigo algo bem pessoal e ao mesmo tempo que nos ajude a fazer uma conexão entre liturgia e missão. Por isso, achei bem conveniente trazer o episódio dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). Uma das passagens mais bonitas e inspiradoras do Evangelho, que é, inclusive, inspiração de meu lema episcopal: “corações ardentes, pés a caminho”.
Os dois discípulos caminhavam de Jerusalém para Emaús carregando no coração a tristeza, a decepção e o desânimo. Eles haviam depositado suas esperanças em Jesus, mas sua morte na cruz parecia ter colocado fim a todos os sonhos. Enquanto caminhavam, conversavam sobre os acontecimentos que haviam abalado suas vidas. Estavam tão mergulhados em sua dor que não conseguiram reconhecer o próprio Jesus que se aproximava para caminhar com eles.
Com muito amor e paciência, Jesus se aproxima, escuta suas inquietações e entra em diálogo com eles. Antes de ensinar, Jesus escuta. Antes de falar, Ele acolhe a dor daqueles homens. Esse gesto revela uma importante atitude missionária: caminhar junto das pessoas, ouvir suas histórias, compreender suas alegrias e sofrimentos.
Depois de ouvi-los, Jesus começa a explicar as Escrituras. Ele mostra que os acontecimentos da paixão e da morte faziam parte do plano de salvação de Deus. Aos poucos, o coração dos discípulos começa a mudar. A Palavra de Deus ilumina suas mentes e aquece seus corações.
Aqui encontramos uma profunda relação com a liturgia. Em cada celebração, especialmente na Eucaristia, a Igreja reúne seus filhos para ouvir a Palavra de Deus. Assim como aconteceu em Emaús, Cristo continua falando ao seu povo por meio das Escrituras. A Liturgia da Palavra é o próprio Senhor que continua explicando as Escrituras e revelando seu amor.
Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus, mas já sentiam algo diferente acontecer dentro deles. Mais tarde, eles mesmos dirão: “Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras? ”.
O coração ardente é um dos frutos do encontro verdadeiro com Cristo. Quando acolhemos sua Palavra, algo muda em nosso interior. A fé se fortalece, a esperança renasce e encontramos novo sentido para a caminhada.
A narrativa continua quando os discípulos chegam ao destino e convidam Jesus a permanecer com eles. Durante a refeição, Ele toma o pão, pronuncia a bênção, parte-o e o entrega aos discípulos. Nesse momento, seus olhos se abrem e eles reconhecem o Senhor.
Mais uma vez encontramos um forte vínculo com a liturgia. O gesto de partir o pão recorda a Eucaristia celebrada pela comunidade cristã. É na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia que Cristo continua se revelando à sua Igreja.
A Missa é encontro vivo com Jesus Ressuscitado. Na liturgia, Cristo continua caminhando conosco, falando ao nosso coração e alimentando-nos com sua presença.
Mas a experiência de Emaús não termina no reconhecimento de Jesus. Pelo contrário, é exatamente aí que começa a missão.
Os discípulos poderiam ter permanecido em Emaús, confortados pela experiência espiritual que acabavam de viver. No entanto, acontece algo surpreendente. Eles se levantam imediatamente e retornam para Jerusalém. Aqueles que estavam cansados e desanimados agora estão cheios de entusiasmo. Aqueles que fugiam da comunidade agora voltam para junto dos irmãos. Aqueles que estavam sem esperança tornam-se anunciadores da Ressurreição.
Essa transformação revela que toda autêntica experiência litúrgica conduz à missão.
A liturgia não fecha os cristãos dentro das igrejas. Ao contrário, ela os envia ao mundo. Cada celebração termina com um envio. Alimentados pela Palavra e pela Eucaristia, somos chamados a testemunhar Cristo nos diversos ambientes da sociedade.
Essa atitude missionária encontra inspiração justamente no caminho de Emaús. Quem encontra verdadeiramente o Ressuscitado não consegue guardar essa alegria apenas para si.
A missão nasce de um coração transformado pelo encontro com Jesus.
Por isso, liturgia e missão não podem ser separadas. A liturgia alimenta a missão, e a missão conduz novamente à liturgia. Uma celebração que não gera compromisso com os irmãos torna-se incompleta. Da mesma forma, uma missão sem oração e sem encontro com Cristo corre o risco de perder sua força e seu sentido.





















