Fazer do mundo uma só familia
Fazer do mundo uma só familia
Xaverianos
Xaverianos
“Vendo as multidões, teve compaixão delas, porque estavam desorientadas e indefesas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36).
A comunidade de Mateus antes de nos apresentar seu discurso/projeto missionário nos convida a contemplar esta cena. Na realidade nos faz retornar sobre os passos de Jesus e de onde Ele vinha e a experiência que o próprio Mateus/Levi fez (Mt 9,9ss)
Retomar os passos de Jesus é um convite e ao mesmo tempo um questionamento: de onde Jesus vinha, quem encontrou, o que seus olhos viram, seus ouvidos escutaram que fez brotar suas orientações missionárias? E hoje o que nos desafia na caminhada do discipulado missionário?
Missão é sair, ir ao encontro e hoje se sussurra, ou já se fala alto: sair ao encontro do Sexto continente, o Continente digital. Sair é para ir ao encontro, ir ao encontro de quem? Então juntas, juntos vamos refletir e nos interrogar.
Vivemos um tempo de grandes transformações. As tecnologias digitais e a inteligência artificial mudam a nossa maneira de ser, trabalhar, comunicar, aprender, construir relações, até de compreendermos a nós próprios e o nosso caminho de discípulos. Face a estas mudanças, podemos sentir entusiasmo, medo, curiosidade ou desorientação. Mas, como caminhantes na fé, somos chamados e chamadas sobretudo a viver este tempo com discernimento, esperança e responsabilidade.
Ir ao Sexto Continente não é só falar sobre tecnologia, mas aprender a preservar o humano no âmbito das mudanças do nosso tempo. Como cristãos, somos chamados, chamadas a sermos construtores de comunhão, artesãos da paz e tecelões da esperança também na era digital. Este caminho deve nos conduzir a redescobrir nossa “magnífica humanidade”, como nos fala papa Leão XIV em sua encíclica, para que toda inovação seja iluminada pelo Evangelho e orientada para o bem comum.
A Boa Notícia deve continuar a ser nosso objetivo, continuar a ser tão atraente que desperte interrogações, curiosidade, perguntas e estimule outros e outras à experiência pessoal com Jesus de Nazaré, que conduza a renovação, tanto pessoal como comunitária e social. Desde aquela aurora de dois mil anos atrás, a Igreja “caminhou junto com toda a humanidade, se comprometeu com todas as suas forças a ser o fermento eficaz que transforme a realidade num pão saboroso para o mundo”.
Para poder testemunhar e anunciar esta novidade mulheres e homens de todo lugar e tempo, sem distinção de pessoas, é necessário que trabalhem sob o sopro da Divina Ruah como no dia de Pentecostes, sair para anunciar e testemunhar o que papa Leão XIV nos convida a viver.
“A Magnífica Humanidade criada por Deus encontra-se hoje perante uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos. Cada geração recebe em herança a tarefa de dar forma ao seu tempo: de fazer amadurecer a história como um lugar onde a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a justiça promovida e a fraternidade possibilitada. Sobre cada época, porém, paira o risco de construir um mundo desumano e mais injusto. Ali onde a humanidade corre o perigo de perder a sua identidade, nós, cristãos, erguemos os olhos para o Deus feito carne, sabendo que «o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente». Em Jesus Cristo, esta magnífica humanidade torna-se o Caminho, a Verdade e a Vida, abrindo a cada um de nós a via para crescermos até à plenitude (MH1).





















