São Guido Maria Conforti, missionário do Mundo

Pe. Felipe Rota Martir

Os dons que Deus faz a uma pessoa são para o bem de todos. A vida de Dom Guido Conforti algo que enriquece não somente a família xaveriana mas também a Igreja e o mundo. Ele foi um grande missionário mas ‘fora do comum’, ‘atípico’, pois não partiu para as missões, viveu sempre no seu pais de origem. Ainda jovem, durante os anos do seminário, tinha lido uma biografia do grande Francisco Xavier e isso fez surgir nele o desejo de ser missionário na China. Mas a saúde dele e outros motivos impediram a realização de tal sonho. Dom Guido não foi um ‘aventureiro heróico’, não enfrentou viagens perigosas, não foi um mártir, não fez nada ‘fora do comum’. Para ser missionário, de fato, não precisa sempre partir, devorar quilômetros e realizar grandes obras, basta somente, apos encontrar o Ressuscitado, querer anunciá-lo aos outros, como fizeram os dois de Emaús. O discípulo torna-se necessariamente missionário. Dom Guido fez esta experiência quando, em Parma, indo para a escola, dentro de uma igreja, contemplava um crucifixo que, com os seus braços abertos, indicava a universalidade da missão. Hoje em dia muitas pessoas vão a igreja para receber ou pedir alguma coisa. Contemplando diariamente aquele crucifixo Dom Guido percebeu que devia oferecer a própria vida. Aquele crucifixo que abraçava todos os povos da terra precisava dele para realizar um projeto: fazer do mundo uma só família que abrace a humanidade.

Conforti.

Guido ingressara’ no seminário de Parma pouco depois. Desde os anos de sua juventude, os altos muros do seminário não lhe impediam, antes estimulavam seus sonhos de evangelizar a China. Anos depois, como sabemos, será bispo incansável, servindo o seu povo sem poupar esforços e enfrentando grandes sacrifícios. Ainda assim, Guido não somente não se fecha na própria diocese, mas sente também a força e a urgência da missão ‘além-fronteiras’, por isso decide formar uma família missionária. Tinha somente 23 anos quando começou a pensar neste ousado e difícil projeto. Não se intimidou diante das dificuldades. Na qualidade de bispo, foi animador missionário da Igreja italiana e fez questão que os cristãos da Itália se preocupassem, eles também, pela missão além-fronteira e não somente pelo próprio país.

Dom Guido foi, ao mesmo tempo, bispo de Parma, mas missionário do mundo, pastor de um só rebanho, a Igreja universal: não somente a diocese de Parma, mas também a imensa missão da China, que Roma confiara aos xaverianos, onde seus filhos estavam evangelizando. Ele mesmo deu o exemplo: se abriu aos imensos horizontes do mundo, acompanhou, sustentou e visitou pessoalmente os seus na China, pouco antes de morrer. Mesmo precisando de padres para a sua diocese (pouquíssimos frente à enorme necessidade de tantas paróquias) envia ‘a China vários missionários, convencido de que quem doa com generosidade recebe muito mais. Como afirma Aparecida, a missão evangelizará também as nossas igrejas e comunidades com as riquezas partilhadas de outros continentes. A missão Ad Gentes não é uma generosidade da Igreja na América Latina, é um dever que se converterá em riqueza para o mesmo continente.

Guido foi Pastor de um só rebanho.. mas isso vale também para todo batizado, responsável pelas pessoas que lhe são confiadas, na família, na comunidade, no trabalho. Entre nos ha’ tanta gente afastada da Igreja e ‘distante’.. tantos empobrecidos e marginalizados. Mas este rebanho é a Igreja toda, é o mundo. O discípulo é responsável por toda a humanidade, por aqueles que ainda (a grande maioria), na terra, ignoram o amor do Pai e a fraternidade do Reino. Não podemos ficar indiferentes. Dom Guido pensava que todo cristão deve, de certa forma, se sentir responsável também das Missões entre os não cristãos, nos 5 continentes da terra. Nisso Ele antecipou (naquela época!) a abertura missionária do Vaticano II e de Aparecida: “Para não cair na armadilha de fechar-se em si mesma, a nossa Igreja Latino-americana deve formar-se como discípula missionária sem-fronteira, disposta a ir ‘a outra beira’, onde Cristo ainda não é reconhecido como Deus e Senhor”. Obrigado São Guido pelo teu lindo testemunho de vida missionária

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