Viva Nossa Senhora Aparecida!

  • Maria Cecília Domezi
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O dia 12 de outubro celebramos a Solenidade da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem foi encontrada pelos pescadores do Rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá, estado de São Paulo, por volta do ano de 1717. Os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso já pescavam há bastante tempo, sem que conseguissem tirar peixe algum das águas do rio. Foi quando João trouxe em sua rede a parte correspondente ao corpo da imagem e, depois, lançando a rede um pouco mais distante, trouxe nela a cabeça da Senhora. Dali por diante, a pescaria tornou-se copiosa.

Dom Pedro I reafirmou a Senhora da Conceição como padroeira do império brasileiro, tolerando como apêndice o título de Aparecida. Mas, sua cor negra foi alvo de intolerância. Em 1854, o bispo da diocese de São Paulo, Dom Antônio Joaquim de Melo, tentou branqueá-la, mandando que se queimassem as estampas em que ela era representada negra e apresentando para a difusão uma estampa da Aparecida na cor branca, que mandara imprimir na Franca.

O episcopado brasileiro, após longa ausência nas romarias do povo, e sem ter visto em Nossa Senhora Aparecida o significado de libertação dos escravos, quando se estabeleceu a República empenhou-se na utilização desta devoção popular em sua campanha de restauração católica.aparecida1

Sob o controle da hierarquia, a igreja velha foi ampliada, declarada santuário episcopal em 1893 e confiada aos missionários redentoristas alemães. A imagem foi solenemente coroada em 1904. Em 1908, o santuário recebeu da Santa Sé o título de basílica menor.

Na década de 1930, os bispos brasileiros conseguiram reunir grandes massas de fiéis. Dom Sebastião Leme proclamou, a 31 de maio de 1931, o título de Rainha e Padroeira do Brasil, que, no ano anterior, o papa Pio XI havia concedido à imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Junto a um milhão de fiéis e perante as autoridades civis e militares, a Igreja mostrou sua competição com o populismo de Getúlio Vargas. Em 1980 inaugurou-se a basílica nova, ocasião em que a imagem milagrosa recebeu, da Santa Sé, a rosa de ouro. O governo secular, por sua vez, deu-lhe um feriado nacional.

Na América Latina e Caribe, crescentemente os conceitos do catolicismo libertador se assentam no simbolismo tradicional da Mãe dos pobres, sempre presente e protetora. Maria é também companheira de caminhada, lutadora corajosa, junto com outras Marias do povo. Especialmente através das comunidades eclesiais de base, das minorias proféticas, grupos e movimentos de pessoas que vivem sua fé cristã empenhados na transformação da sociedade, Ela vem sendo reconhecida numa afirmação sócio religiosa de identidade dos negros, índios e mestiços. A conscientização se faz mantendo vivo o sentido religioso e ressignificando elementos da religião popular.

No santuário de Aparecida, é preciso escutar a voz de Maria que canta a ação do Deus libertador dos pobres. Como discípulas e discípulos do seu Filho, temos que reafirmar e atualizar a opção pelos pobres, buscando dar respostas concretas e eficazes para os problemas de injustiça que persistem nas relações sociais de classe, gênero, raça/etnia, geração, cultura.

Com os pés despidos para sentir o chão por onde vão pés dos romeiros, poderemos participar do Cântico de Maria, nele inserindo as maravilhas que Deus Pai e Mãe tem operado entre os povos da América Latina e Caribe.

                                           

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