Romero, pastor e mártir da América Latina

  • Rafael Lopez Villasenor
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“Se me matarem ressuscitarei no meu povo”

A canonização de dom Oscar Arnulfo Romero acontece em Roma, no domingo, 14 de outubro de 2018, junto com a de Paulo VI. Com a canonização conjunta do arcebispo de San Salvador e o papa Giovanni Montini, Francisco quer ressaltar e unir na mesma cerimônia dois “símbolos” que foram firmes aos ventos renovadores do Concilio Vaticano II.

Paulo VI e Dom RomeroDom Oscar Arnolfo Romero, arcebispo de San Salvador, mártir e profeta do nosso tempo, nasceu em Cidade Barrios, El Salvador, em 15 de agosto de 1917. De origem humilde, formou-se padre vinte anos antes do Concílio, apesar de aceitar as mudanças do Concílio, resistiu no começo às conclusões de Medellín, que o foram modelando. A transformação de “conservador” em “critico” da ditadura salvadorenha deu-se como resultado do contato com os pobres, do assassinato indiscriminado contra o povo, contra líderes das Comunidades Eclesiais de Base, contra religiosas e padres como o Pe. Rutilio Grande, quando arcebispo de San Salvador.

Após tomar consciência da situação do povo, em certa ocasião em que o exército torturava e massacrava os camponeses, dom Oscar Romero disse aos soldados: “Irmãos, vocês são do mesmo povo. Estão matando vossos irmãos camponeses. Nenhum soldado é obrigado a obedecer uma ordem contrária a lei de Deus. Ninguém deve obedecer uma lei imoral. Devem obedecer suas consciências e não a uma ordem pecaminosa, Em nome de Deus, em nome deste povo sofrido cujos gritos se elevam cada dia mais alto no céu, imploro, suplico, ordeno: em nome de Deus, parem com a opressão”.

Dom Oscar sabia que o povo salvadorenho vivia constante e cotidianamente no sofrimento, sem nenhuma defesa. O povo era simplesmente morto e massacrado. Era o povo crucificado, que sendo chamados de mártires ou não, as maiorias oprimidas durante a vida e massacradas durante a morte, são as que melhor expressam o sofrimento do mundo. Cada dia se matavam inocentes em El Salvador.

Ele sabia que seria morto como muitos outros salvadorenhos tinham sido assassinados: “Tenho sido frequentemente ameaçado de morte. Devo dizer-lhes que como Cristão, não creio na morte sem a ressurreição. Se me matam ressuscitarei no meu povo salvadorenho. Digo isso sem orgulho, com a maior humildade... como pastor estou obrigado a dar a vida por quem amo, que são todos os salvadorenhos, como também aqueles que vão me matar.  Se chegarem a cumprirem as ameaças, desde agora ofereço a Deus meu sangue pela redenção e ressurreição de El Salvador”.

romerosDom Oscar Romero, poucos dias antes de ser martirizado, descreve a situação de martírio do povo Salvadorenho como um povo crucificado, na Universidade de Lovaina (Bélgica) em 02 de fevereiro de 1980. “.... Em menos de três anos, mais de cinquenta sacerdotes foram atacados, ameaçados e caluniados; seis deles tornaram-se mártires, morreram assassinados. Vários outros foram torturados e diversos expulsos do país. As religiosas também tem sido objeto de perseguição... se com os representantes mais visíveis da Igreja acontece isso, vocês podem imaginar o que ocorre com o simples povo Cristão, com os camponeses, os catequistas, os delegados da palavra e as Comunidades Eclesiais de Base. Aí, os ameaçados, presos, torturados assassinados contam-se às centenas e aos milhões... não se perseguiu qualquer sacerdote nem se atacou qualquer instituição. Perseguiu-se e atacou-se a parte da Igreja que se colocou do lado do povo pobre e tomou sua defesa... A verdadeira perseguição dirigiu-se contra o povo pobre, que é hoje o corpo de Cristo na história. Os pobres são o povo crucificado, como Jesus, é o povo perseguido como o povo de Javé. São eles que completam em seu corpo o que falta a paixão de Cristo. Por isso quando a Igreja se organizou e se unificou sofre a mesma sorte de Jesus e dos pobres: a perseguição”.

Assassinado na capital salvadorenha em 24 de março de 1980, enquanto celebrava a Eucaristia, por uma bala, disparada por um atirador de elite do exército de El Salvador, querendo calar a voz de pastor e profeta, clamor que continua sendo a voz dos sem voz. Sua morte provocou uma onda de protestos em todo o mundo e pressões internacionais por reformas em El Salvador.

São Oscar Arnulfo Romero morreu por causa da justiça do Reino de Deus, por ter coragem de denunciar, no seu programa de rádio dominical, os torturadores e assassinos de tantos pobres e camponeses. Ele é o exemplo de profunda santidade, um pastor que teve a coragem de dar a própria vida para como Bom Pastor.

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