"Uma cultura da violência prevalece na nossa nação": esta é a denúncia feita pelos bispos da Nigéria, no comunicado final da segunda reunião plenária, realizada em Kafanchan.
A situação social e política do país com a mais vasta população no continente africano foi o núcleo das conferências dos prelados, os quais destacaram a necessidade de que o Governo garanta a proteção da população, em especial das minorias religiosas.
Os bispos se concentraram em duas regiões: o norte, onde atuam grupos fundamentalistas religiosos, e o Delta do Níger, palco de um longo conflito social ligado à exploração dos recursos naturais da região.
Eles se referiram em especial aos confrontos entre os policiais e milícias islâmicas pertencentes à seita Boko Haram (conhecidos como "talibãs"), que causaram um alto número de mortos: "Deploramos profundamente e condenamos a perda de vidas humanas e de bens causada pela seita" – recordando que a Constituição garante a liberdade de religião de todo cidadão.
"Deus não deu a ninguém o direito de matar em seu nome nem autorizou alguém a violar a dignidade de outros seres humanos" – acrescentaram. Aos políticos do país, os bispos nigerianos recordaram que cabe a eles proteger a população: "Não existe democracia se o Governo não pode proteger a vida e as propriedades dos cidadãos".
Ainda na Nigéria, o Fórum dos representantes cristãos do Delta do Níger (NDCLF) escreveu uma carta aberta ao chefe de Estado, Umaru Yar’Adua, com uma série de propostas para acabar com a violência na região.
Publicada pelo jornal nigeriano “The Vanguard”, a carta é assinada, entre outros, pelos responsáveis pelas Igrejas Católica, Anglicana e Metodista. O tema central: a gestão dos recursos petrolíferos.
Desde 2006, o Delta do Níger, maior fornecedor de barris do país, é devastado por ataques do Movimento de Emancipação (MEND), que se opõe à instalação de plataformas petrolíferas e pedem a distribuição do lucro proveniente das extrações.
Fonte: Rádio Vaticano |