O vice-presidente da Conferência da Nicarágua e arcebispo de Estelí, monsenhor Abelardo Mata; o bispo de Granada, monsenhor Bernardo Hombach, e o bispo de Chontales, monsenhor René Sándigo, denunciaram terem recebido na semana passada correios eletrônicos com ameaças de morte.
O presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, monsenhor Leopoldo Brenes, declarou que os bispos continuarão denunciando os problemas do país como parte de sua missão pastoral, a pesar das ameaças de morte que têm recebido. A ameaça “não nos preocupa, continuaremos trabalhando, estamos comprometidos com o Ano Sacerdotal”, disse monsenhor Brenes, arcebispo de Manágua, em declarações à imprensa nessa segunda-feira.
Segundo os bispos, as ameaças começaram depois que o arcebispado de Manágua condenou as agressões que sofreram os membros da Coordenadora Civil na catedral metropolitana por parte de supostos simpatizantes da Frente Sandinista.
No dia 09 de agosto, os participantes de um “ato cultural”, realizado com autorização da cúria arquidiocesana foram atacados por supostos sandinistas armados de pedras e paus, no espaço da catedral de Manágua. Em um comunicado lido pelo bispo auxiliar e vigário geral, monsenhor Silvio José Báez, a cúria expressou que “alarma o fato de que este não seja um acontecimento isolado, mas sim expressão de uma política de intolerância e de desrespeito à liberdade de expressão e de mobilização que todo cidadão tem direito”.
“Como pessoas de fé, consideramos tais ações como uma agressão à sacralidade da pessoa humana criada a imagem de Deus e templo do Espírito Santo e uma profanação ao espaço sagrado de nossa Igreja Catedral”, afirmou o prelado em um comunicado, assinado também pelo vigário episcopal, o chanceler e o porta-voz da arquidiocese.
O documento destaca que na Nicarágua “urge a paz, que para os cristãos significa ausência de todo tipo de violência e compromisso sincero pelo bem estar do outro, independentemente de sua ideologia, filiação política ou condição social”. “Esta paz se constrói com a autenticidade e a coerência entre o discursos e os fatos concretos, deixando de lado o cinismo dos slogans que manipulam os valores religiosos e polarizam e confrontam a família nicaragüense”.
A mensagem da arquidiocese exorta o povo “a praticar a tolerância e a paz, o uso da razão para expor e defender as próprias ideias e a não sucumbir diante da tentação da violência, pois como disse Jesus: os que empunham a espada, pela espada morrerão”.
Fonte: Instituto Humanistas Unisinos |