Trinta integrantes de movimentos sociais e entidades em defesa dos Direitos Humanos passaram o dia de ontem, 26 de maio, ao lado das famílias Guarani Kaiowá ameaçadas de despejo no Mato Grosso do Sul. Cerca de 100 indígenas retomaram, há mais de um ano, 450 hectares de sua terra tradicional Laranjeira Nhanderu no município de Rio Brilhante. A Justiça Federal de Dourados decidiu que eles devem deixar a área. O Ministério Público Federal recorreu da decisão ao Tribunal Regional Federal (TRF) 3 Região, portanto as famílias aguardam o julgamento do TRF antes de saírem da terra.
Uma das questões que mais causou indignação e revolta aos integrantes da Caravana de Solidariedade aos Guarani Kaiowá, foi a estratégia do agronegócio de isolar a comunidade indígena, impedindo o acesso à ela, obrigando adultos e crianças da comunidade a deslocamentos a pé para ir à escola, receber atendimento à saúde ou mesmo receber o parco alimento da cesta básica. E o mais grave é a negação do acesso ao próprio órgão de assistência do governo federal, a Funai. Parece que a lei privada do agronegócio está acima da Constituição Federal, no livre direito de “ir e vir”. “Vamos quebrar esses cadeados da vergonha, entrando com uma ação na justiça” disse a Dr. Odete, no sindicato dos trabalhadores rurais de Rio Brilhante.
Do lado dos fazendeiros, que se dizem proprietários das terras em que está a comunidade Kaiowá Guarani de Laranjeira Nhanderu, ostentam papéis que dizem ser títulos de propriedade de 1847, portanto quando ali ainda era Paraguai. Só resta a pergunta que alguns indígenas fizeram a zelosos proprietários “gostaríamos de saber se os senhores conseguiram assinatura de Deus, pois para nós a terra foi feita por Deus para todos e ele deve ter se negado a assinar qualquer titulo de propriedade”. “Malditas cercas do latifúndio” diria D. Pedro Casaldáliga, que em seus mais de 80 anos de existência, lutou e continua lutando para romper as cercas do racismo, do preconceito, da acumulação e exclusão, da dominação, da exploração e de todas as formas de injustiça.
Fonte: CIMI |