|
A visitação resgata a prática evangelizadora de Jesus e a experiência missionária das primeiras comunidades cristãs. Evangelizar constitui o primeiro e fundamental compromisso de fé de todo seguidor de Jesus
Este nosso tempo está marcado pelo inchaço das cidades. Constata-se ainda intensa movimentação de pessoas que transitam em busca de melhores condições de vida. A preocupação se volta para a evangelização. Saindo do seu berço cultural a pessoa sente-se vulnerável. Não encontrando acolhida e apoio, vai perdendo as raízes e os valores se desumanizam. Isso obriga a orientar a ação evangelizadora da Igreja, para além do centro, na direção das periferias.
Em Lc 13,34 Jesus fala assim ao olhar sobre a cidade: “Jerusalém, Jerusalém, você que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram”.
É preciso olhar para a cidade com olhar profético e misericordioso, como o de Jesus. O olhar profético é um olhar de indignação com aqueles que edificam cidades com a marca da violência. No seu discurso para o Dia Mundial das Missões, o Papa lembra que “quando não tem como finalidade a dignidade e o bem do homem, quando não tem em vista um desenvolvimento solidário, o progresso tecnológico perde a sua potencialidade de fator de esperança e, ao contrário, corre o risco de agravar os desequilíbrios e as injustiça já existentes”.
Mas também há o olhar misericordioso de Jesus. Para nós, missionárias de Maria-xaverianas, a misericórdia é a característica maior que os nossos fundadores nos deixaram como herança e como carisma. Sem misericórdia não há Igreja, não há missão. O olhar misericordioso sobre a cidade sonha com alternativas viáveis e sustentáveis.
No tempo de Jesus, sob a perseguição religiosa e política, a nascente Igreja, migrou para as casas. Ela se multiplicou através de pequenos grupos, na vivencia da comunhão, partilha e fraternidade. Também na América Latina, depois do Concilio Vaticano II, se fez esta experiência quando se cantava e se vivia “novo jeito de sermos igreja ...”, o ainda: “somos gente nova vivendo a união, somos povos semente de nova nação”. Será que isso hoje é ainda possível ?
Ao rezar o Terço, estamos acostumados a contemplar, no segundo mistério gozoso, a visita de Nossa Senhora a sua prima Isabel. Este foi um encontro especial. Essa visita transformou-se no primeiro ato de evangelização da família do Novo Testamento: levar Jesus para os lares, como a grande Boa Notícia da presença de Deus em nosso meio. Presença que provoca alegria e esperança!
A visitação resgata a prática evangelizadora de Jesus e a experiência missionária das primeiras comunidades cristãs. Evangelizar constitui o primeiro e fundamental compromisso de fé de todo seguidor de Jesus. Como nos lembra São Paulo do qual celebramos os 2000 anos do nascimento: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; mas uma necessidade. Ai de mim se não evangelizar!” (1Cor 9,16). A Igreja existe para evangelizar. Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Emérito de São Félix do Araguaia, um dia disse: “desejaria que cada um pudesse visitar, pelo menos em espírito, a própria pia batismal, mergulhar nela a cabeça e redescobrir a missionariedade do próprio Batismo! Sou Batizado? Então devo ser missionário! Se não sou missionário, então ... não sou cristão!”
O Documento da 41ª Assembléia Geral da CNBB, ressalta a importância do contato pessoal a das visitas familiares, como uma forma privilegiada de evangelizar e resgatar a dimensão missionária da Igreja: “as pessoas não buscam as doutrinas, mas o encontro pessoal, o relacionamento solidário e fraterno, a acolhida. Cada comunidade como cada cristão, que tomou consciência da sua missionariedade, deverá não apenas acolher bem quem se aproxima, mas ir ao encontro dos outros e retomar a prática evangélica das visitas às casas”.
de Carla Zagato
|