Minha maior alegria  
 


O testemunho da Ir. Rosa Fukushima, uma das primeiras irmãs xaverianas brasileiras, filha de imigrantes japoneses, enviada ao Japão como missionária.

Comecei sentir mais forte o chamado para o qual Jesus havia me escolhido aos 16 anos. Muitas irmãs de várias congregações queriam que eu fosse com elas, mas além de não me sentir atraída, meu pai não me deixava porque queria que eu casasse e ficasse perto dele. No entanto, eu continuava rezando muito, sempre firme no desejo de consagrar-me totalmente a Deus.

Em 1957 vieram as três primeiras irmãs xaverianas no Brasil e foram morar em Apucarana, PR, a minha cidade. No meu primeiro encontro com as irmãs Gianna, Elisa e Anna, senti uma grande alegria, e espontaneamente disse que eu também queria ser missionária. Daquele dia em diante, entre visitas, encontros e reuniões fomos aprofundando cada vez mais a amizade e o conhecimento mutuo. Então, sentia que realmente Deus me queria nesta Congregação das Missionárias de Maria.

Após três anos, em 1960 fui falar com a Ir. Gianna, então responsável da comunidade das irmãs, sobre o meu desejo e a decisão de ser missionária. Assim, depois de seis meses, no dia 25 de Julho de 1960 deixei a minha casa e, acompanhada por meus pais, fui até Jaguapitã, PR, para iniciar os anos de formação religiosa.
Foi muito difícil deixar a minha família, os trabalhos, as amigas ... Mas Deus me deu aquela força e coragem, fruto também de muitas orações especialmente por parte da minha mãe que sempre me encorajou.

Em 1962 fui enviada à Itália, para completar os estudos e a formação. Em 1965 fiz a minha primeira Profissão Religiosa na Casa Mãe, em Parma. Foram anos de muitas graças ter convivido com os fundadores das Missionárias de Maria. O que mais ficou marcado em mim é a humildade profunda da Madre Celestina Bottego, a serenidade contagiante, aquele amor e afeto materno que sempre nos acolhia de braços abertos e apertava a gente no peito, que sentíamos o batimento do seu coração.

Padre Giácomo Spagnolo também era muito paterno, acolhia a gente dizendo: “vem minha filha!”. Ficávamos conversando por muito tempo. Nos momentos de dificuldades, o Padre sempre foi de grande ajuda para mim.

Voltei para o Brasil em 1967. Trabalhei vários anos em Jaguapitã, depois em Apucarana na creche e em Londrina, onde me dediquei à formação profissional das empregadas domésticas.

No ano 1985 tive a graça e a alegria de ser enviada para ao Japão, na região de Osaka na cidade de Izumi-Shi. Dois anos depois, fui transferida para a cidade de Sennan onde fiquei por 13 anos. Trabalhei na catequese de adultos em preparação ao Batismo e na catequese de crianças e jovens brasileiros, peruanos, colombianos e bolivianos.

A minha maior alegria era ver as pessoas que, através da explicação da Bíblia, iam conhecendo aquele Deus que é um verdadeiro Pai e que nos criou por amor, que está sempre dentro do nosso coração, que nos perdoa sempre, porque Ele é um Deus infinitamente bondoso e misericordioso com todos, sem distinção. A catequese era dada durante seis meses, um ano e até dois anos, conforme a aceitação e o entendimento da pessoa. Nós íamos ensinando e rezando juntos até que, espontaneamente, a pessoa aceitasse de ser batizada. No Japão, sendo um país não-cristão, é muito difícil que alguém deseje tornar-se cristão, porque para eles mudar de religião é trair a pátria.

O Japão é um país maravilhoso com o seu desenvolvimento econômico, social e tecnologia das mais avançadas, mas ainda tem pouca aceitação da mensagem do Evangelho. A messe é grande, mas são poucos os operários. Por isso temos que rezar muito para que Deus envie operários e operárias.

Rosa Fukushima