O jubileu do Padre Leão  
 


Pe. Leão Occhio celebra as Bodas de Ouro de sua ordenação sacerdotal em 26 de janeiro de 2008. Há mais de 50 anos no Brasil, continua em missão na periferia de São Paulo com o mesmo ardor de quando era jovem.

Padre Leão Occhio foi um dos primeiros xaverianos a chegar no Brasil. Ele nasceu em 2 de dezembro de 1927 em Gallignano, no norte da Itália, na província de Cremona, junto a seu irmão gêmeo Tarcísio, numa família de onze irmãos.

Em 1939 viu seu irmão Pino partir como missionário para a América. Decidiu segui-lo começando a formação junto ao seminário salesiano de Casale Monferrato, mas não se encontrou à vontade e voltou para a família. Trabalhou na roça até os vinte anos, participando da Ação Católica, onde amadureceu sua vocação. Em 1948, depois da guerra, decidiu-se pela vida religiosa e missionária e entrou nos xaverianos. Encontrou neles o que estava procurando. Lembra que era 8 de agosto quando chegou na cidade portuária de Ancona. Pela primeira vez, Leão viu o entardecer sobre o mar.

Depois do noviciado em 1952, Leão freqüentou dois anos de liceu em Désio, próximo de Milão, e um ano como assistente educador de jovens candidatos à vida missionária em Cremona. “Ali entendi que não se educa deseducando-nos” explica Leão, “que precisa de competência, energia e calma contínua e compreensiva, sem ceder nem se irritar. Olhos sempre abertos, muita serenidade e confiança”.

Lá pela metade de 1954 chegou o Superior Geral que comunicou a Leão a intenção de envia-lo ao Brasil. Feliz, Leão, respondeu: “Eis me aqui!”.
Chegou ao Brasil próximo do Natal. “Desembarquei no Rio e depois em Santos: me impressionou a presença de negros e a mistura de raças. Tive sensação de que o povo brasileiro, acolhedor e fraterno, é capaz de integrar os diferentes”, revela Leão. Logo foi enviado a Curitiba, PR, para terminar os estudos de teologia. Todos os dias uma hora e meia de ônibus para ir e voltar da faculdade. Mas Leão não se queixava porque “no ônibus se podia ler e estudar sossegados”, ele lembra. Outros tempos.

Foi ordenado sacerdote em 26 de janeiro de 1958 em Curitiba. Depois de regressar à Itália para uma breve visita à família, voltou novamente ao Brasil. Nos primeiros anos de padre, trabalhou no norte do Paraná. Em 1961, voou com a primeira equipe ao Pará. Eram só quatro padres para atender toda a Prelazia de Abaeté do Tocantins. “Era gostoso”, recorda Pe. Leão, “viagens de barco, encontros, convivência. Éramos sempre esperados como numa festa e, nem tínhamos direito de cansar! Lá fiquei 5 anos, mas guardo muitas lembranças e saudades”.

A obediência aos superiores e o amor à família xaveriana o obrigou a deixar o Pará e a voltar ao sul do país para assumir a formação. Trabalhou no Paraná, em São Paulo e em Minas Gerais, nos seminários e na pastoral, engajando-se nas CEBs e nos movimentos populares. Acompanhou de perto e viveu por dentro de todas as mudanças culturais e eclesiais acontecidas nas últimas cinco décadas no Brasil.

“Os momentos mais significativos para mim” confessa Pe. Leão, “foram àqueles que me obrigaram a mudar. Momentos de participação de leigos conscientes nas pastorais, conscientes também da realidade social e política. Vi mulheres, negros, pobres, jovens, crianças, puxadores de rezas e dirigentes de irmandades, mostrar seu rosto, redescobrir sua dignidade, comunicar sua arte, recuperar confiança, assumir seu protagonismo e acreditar na mudança. E tudo isso foi me modificando também”.

Talvez isso corresponda a um pedido que, quando jovem seminarista recém-chegado da Itália, Leão fez a Nossa Senhora. Numa de suas cartas à família conta: “Fomos até Aparecida, onde se encontra o Santuário Nacional de Nossa Senhora. Estão construindo uma basílica grandiosa: serão necessários 20 anos. Que Nossa Senhora me ensine a amar os brasileiros e tudo o que é brasileiro, da maneira como Ela ama!”.

da redação