Partir ...  
 


A partida exige muito de cada um de nós. Exige a mesma fé que exigiu de Abraão, quando Deus disse para ele deixar tudo e seguir para uma terra desconhecida.

Partir é um desafio, mas também uma alegria. Estou prestes a partir para os Estados Unidos para estudar o inglês em vista da missão em terras japonesas. Será a segunda vez que vou para fora do Brasil, pois na primeira eu fui para a Itália alguns anos atrás, e ali fiz o Noviciado e os estudos teológicos. O que eu sinto nesta situação? Parto da experiência que já vivi.

Na primeira vez que eu parti, foi muito mais difícil, pois eu não sabia nada daquilo que ia encontrar e tinha apenas 22 anos de idade. Acredito que toda vez que partimos nós temos um pouco de receio e de medo daquilo que vamos encontrar. Isso é natural. Na primeira vez eu não sabia nenhuma palavra de italiano e fazia um monte de histórias na minha cabeça.
Agora eu vou mais tranqüilo, pois sei que vou encontrar pessoas que me ajudarão. Quando a gente parte, a gente não vai sozinho, mas leva conosco as pessoas que deixamos, e encontramos outras que nos fazem acreditar que o sonho do nosso pai e fundador Guido Maria Conforti é já realidade: aquele de fazer do mundo uma só família.

A partida exige muito de cada um de nós. Exige a mesma fé que exigiu de Abraão, quando Deus disse para ele deixar tudo e seguir para uma terra desconhecida. E o que fez Abraão? Exigiu de Deus algumas seguranças para partir? Não! Abraão foi uma pessoa que se entregou inteiramente nas mãos de Deus. Acredito que esse deve ser o nosso comportamento: nós devemos nos entregar de corpo e alma ao Senhor da nossa história, pois Ele sabe daquilo que precisamos e também é Ele que está traçando os nossos caminhos.
A partida exige também uma grande capacidade de adaptação. Nós vamos para um país que não é o nosso, uma cultura que não é a nossa. A exigência de uma abertura ao novo é essencial nesta situação. É muito interessante quando descobrimos que algumas coisas que achamos imutáveis, no confronto com outras culturas, vemos que na verdade não é bem assim, mas que existem vários pontos de vista que nos livram de muita coisa.

Uma outra exigência é aquela de ter uma espiritualidade radicada na pessoa de Jesus Cristo. Somente Ele, com Ele e por Ele é que nós deixamos a nossa terra para ir ao encontro dos outros. Ele deve ser a nossa motivação principal, e é Nele que devemos buscar as forças para caminharmos adiante procurando fazer a vontade de Deus nas nossas vidas.
Por tudo isso, penso que é um grande desafio partir para um outro país, mas ao mesmo tempo é uma grande alegria, pois um novo mundo se abre diante dos nossos olhos, e descobrimos as verdadeiras maravilhas de Deus. É essa alegria que me motiva mais uma vez em deixar tudo para trás e partir, seguindo as pegadas de Jesus, o nosso bom Mestre.

de Michel Luciano Augustinho da Rocha