Vida para todos  
 


Pe. Carlos Marcelo Franz, paranaense, partilha um pouco de sua experiência missionária no Moçambique: uma missão engajada no desenvolvimento integral da vida do povo.

Sou um missionário xaveriano e estou em Moçambique há três anos. Fui enviado para este país acreditando que o Senhor preparou para mim um lugar, no meio desse povo e dessa realidade. Para mim ser xaveriano significa fazer parte de uma bela Família que se coloca a serviço do Reino de Deus em situações das mais diversas e desafiadoras, estando na linha de frente e deixando-se guiar pelo Espírito.

Da mesma forma que o Brasil, o Moçambique foi uma colônia portuguesa, com a diferença de ter conseguido sua independência apenas em 1975 e, mesmo assim, com muita luta e sangue derramado. Passados dois anos da Independência, mais uma vez a população viu seu país dividido por uma cruel guerra civil que durou 15 anos. Essa guerra levou à morte muitos moçambicanos e moçambicanas, e à destruição quase total da frágil e escassa infra-estrutura deixada pelos portugueses.
Em 1992, pela mediação da igreja católica, na pessoa do arcebispo da Beira, Dom Jaime Gonçalves, e da Comunidade de Santo Egidio, foi assinado em Roma o acordo de paz que pôs fim à guerra e marcou uma nova era.
Com o fim, da guerra vieram as primeiras eleições livres e democráticas em 1994. Iniciou-se assim um lento processo de desenvolvimento, sendo que a maior parte da população ainda vive em condições muito precárias. Mocambique é um dos dez paises mais pobres do mundo segundo os últimos dados das Nações Unidas.
A Igreja, que está imersa neste mundo, investe boa parte de seus esforços a auxiliar esse desenvolvimento.

É práxis dos missionários quando vão a um país procurarem sempre se engajar num caminho já traçado e seguir as orientações da igreja local. Nós não poderíamos ter feito diferente. Neste sentido, nosso maior trabalho é aquele de responder às reais necessidades de uma igreja que está engajada no desenvolvimento integral de sua população.
Priorizamos alguns projetos e a eles temos nos dedicado, tais como: a reestruturação de antigas sedes missionárias e a construção de uma nova; construção de igrejas de alvenaria; a formação de novas comunidades e o melhoramento das já existentes; formação de lideranças; auxilio aos mais necessitados entre os pobres (doentes com HIV, leprosos, paralíticos, cegos, etc.). Em duas de nossas missões funcionam escolas. Acreditamos assim estarmos ajudando a população local a preparar um pouco mais o seu futuro, esperando sempre que seja melhor que o presente.

Na missão onde me encontro, em Charre na diocese de Tete, o meu trabalho é mais direcionado à formação e educação de jovens e adolescentes. Na escola dou aula como professor de ética e moral. Juntamente com irmã Claudia, franciscana da Sagrada Família, cuidamos do acompanhamento vocacional daqueles que desejam se consagrar a Deus no serviço à Igreja. Somos responsáveis também pelos internatos, masculinos e femininos, onde os estudantes permanecem durante todo o ano letivo.

Agradeço a Deus pela vocação missionária e pela possibilidade de partilhar com todos os leitores deste Jornal um pouco de nossa experiência em terras africanas, “takhuta maningi!” (muito obrigado!). Espero que este breve e modesto testemunho possa animar mais e mais jovens a se dedicarem a essa causa tão nobre e especial de anunciar Cristo ao mundo. Como dizem por aqui onde estou: “tiri pabodzi!” (estamos juntos!). Permaneçamos unidos na mesma fé e na mesma oração. Até a próxima!

Carlos Marcelo Franz